quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

22) LILA Uma investigação sobre a moral

LILA Uma investigação sobre a moral

Trata-se daqueles livro que passamos a vida sem ler, haja vista não dar qualquer sinal da sua proposta ou conteúdo. No começo parece ser um daqueles romances enfadonhos de uma aventura de barco através do rio Hudson EUA. O Rio Hudson (em inglês: Hudson River) é um rio que corta o estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, e que ao fim de seu trajeto forma o limite interestadual entre Nova Iorque e Nova Jérsei.

O livro foi escrito pelo filósofo  Robert M Pirsig que vendo sua biografia, percebe-se que se espelha no personagem principal, o Capitão Phaedrus.

O livro que tornou Pirsig famoso foi “ZEN A ARTE DE MANUTENÇÃO DE MOTOCICLETAS”, escrito 20 anos antes de LILA.
Tanto nessa obra como em LILA, Pirsig explora o significado e os conceitos de "qualidade" (um termo que ele considera ser indefinível). Pirsig expande sua exploração de qualidade em metafísica, que ele chama de "Metafísica da Qualidade". Como o título indica, uma grande parte da metafísica da qualidade tem a ver com a não-intelectualização, não concetualizar, o Zen como visualização direta do universo.

Ainda que Pirsig afaste o pensamento oriental, argumentando que a razão e a lógica são importantes na busca do entendimento, o autor frisa a importância da intuição abstrata como orientadora da ação humana.

Descendo com seu barco através do Rio Hudson, Phaedrus, ao entrar num bar de uma cidade ribeirinha, conhece Lila Blewitt, uma mulher psicologicamente instável que,  embora não esteja mais na flor da idade, continua atraente a ponto de seduzir Phaedrus física e intelectualmente.

Ao navegar com ela para Manhattan, Lila deflagra no narrador uma série de reflexões que culminam na formulação do que ele chama da “metafísica da qualidade”. Aliás, esse termo é uma espécie de mantra na obra. Foi citada aproximadamente umas  100 vezes.

Ousada, original e provocativa a “metafísica da qualidade” fornece uma espécie de moldura para avaliar todas as ações humanas segundo quatro níveis evolutivos – natural, biológico, social e intelectual – que interagem de modo a influir na elaboração dos códigos morais contemporâneos. Sobre esse conceito evolutivo, escrevi alguma coisa neste Blog sob o título “O ABECEDÁRIO DAS GERAÇÕES”.

Enquanto Phaedrus constrói seu sistema filosófico, Lila tem seu destino traçado de forma dramática. O confronto desses dois personagens resulta num enredo singular que combina o fascínio do romance de aventuras com o estímulo intelectual da meditação filosófica.

Trata-se de uma obra prima do pensar sem barreiras. São as idéias francas que estão no primeiro plano e ocupam a maior parte do texto, refletindo a cultura dominante em uma espécie da Raio X secular, a partir do vitorianismo com seus ferros forjados e seu linguajar reprimido, os índios americanos esmagados, as escavações e os antropólogos, as delicias e desastres do sexo, a fome da fama e seus percalços, a filosofologia, chamada pelo autor de “a ciência dos tratados sem fim, são alguns dos muitos veios da cultura que herdamos e detalhadamente analisados por Robert M Pirsig.   

Uma dica interessante dada pelo autor como habito de Phaedrus é de anotar idéias, conceitos e objetivos em tiras (ou fichas). Mas o que chama a atenção é uma observação no sentido que: “o objetivo maios das tiras não era mais ajudá-lo a se lembrar das coisas. Era ajudá-lo a esquecer. Parecia contraditório, mas o propósito era o de deixar sua mente vazia...

Nesse sentido: “Uma biblioteca é uma das ferramentas mais poderosas da civilização precisamente por causa de suas gavetas de fichários.

Referindo-se a um pensamento do índio americano: “É melhor saber muito e dizer pouco do que saber pouco e dizer muito.
No que diz respeito a religiosidade “Tinha observado que as tribos que tinham as práticas religiosas mais ferrenhas eram as mais atrasadas”. Nesse sentido reporto a um outro tema que publique neste Blog com o título “DEUS X RELIGIÃO”.

Uma abordagem da obra que me chamou a atenção para um fato interessante. “A personalidade americana é uma mistura de valores indígenas e europeus.

Dessa forma: “em relação a seus inimigos, não sente qualquer compulsão de piedade, e quanto mais agressivo for, melhor.

índio não fala para encher o tempo ... ele quer que você fale do coração ou cale a boca.

Nesse contexto  o autor faz uma observação de que os americanos do Leste são mais Europeus, enquanto os americanos do Oeste (do Velho Oeste), são mais índios. Essa percepção é bastante sentida através do espírito aguerrido do texano (Oeste) em relação ao americano de Montana (Leste), só pra ficar nesses dois exemplos.

Nesse ponto do livro me veio uma espécie de resposta sobre algo que sempre me intrigou. Concordem as pessoas ou não, o povo Inglês destoa com relação aos demais europeus. Quando a regra do mundo era a barbárie, a Inglaterra já admitia alguns fragmentos melhor ajustado em termos de governança. Sempre primaram em ter um parlamento, e os reis ingleses não governavam com o absolutismo das demais monarquias da Europa há dezenas de séculos atrás.

Não foi por outro motivo que as colônias inglesas se desenvolveram muito melhor que as colônias portuguesas, espanholas e até mesmo as francesas que quase não colonizou. É o caso da  África do Sul, Austrália, parte do Canadá e Estados Unidos. Costumo dizer que até mesmo a cidade de Londrina/PR é diferenciada pelo fato por ter sido colonizada por ingleses.

Um fato curioso que sempre me chamou a atenção é dos Estados Unidos terem superado e muito seus colonizadores, admitindo desde cedo um regime republicano presidencialista, mas preservando os princípios consuetudinário próprio dos Ingleses.

Acabei dando razão ao autor. Essa mistura da bravura e determinação do índio americano, fundida com a índole inglesa, formatou uma nação fértil para a conquista e prosperidade, e que sabem em cada situação, conforme se apresenta, se optarão pela diplomacia inglesa ou a intolerância indígena.

Que se danem os que não gostam quando afirmo que não fosse a existência desses dois países na face da terra, as conquistas de liberdades (especialmente das minorias) não estariam consolidadas em muitos lugares nem em 10% do que estão hoje. As vezes chego a pensar que os ingleses chegaram no planeta terra de outro planeta, haja vista que a regra consuetudinária de convivência só dá certo lá e nos EUA (por conseqüência). Nem Alemão, nem Japonês, nem Frances, ninguém, consegue viver tão pacificamente sob a égide consuetudinária como os ingleses.

Isso tudo vem de acordo com a assertiva que o autor apresenta, assim como de outros filósofos de que “os padrões de uma cultura não funcionam em conformidade com as leis da física.”  Nas palavras de Clyde Kluckhohn (professor de antropologia de Harvard: 
Os valores fornecem a única base para uma compreensão totalmente inteligível da cultura, porque na verdade, a organização de todas as culturas se dá primeiramente em termos de seus valores.”  

a cultura tem que incluir o estudo sistemático e explícito de valores e de sistemas de valores, vistos como fenômenos da Natureza que podem ser observados, descritos e comparados.” 

Quando um eleitor vai às urnas, está fazendo um julgamento de valor.” 

...os valores nada têm de vagos quando  se lida com eles em termos de experiência real.” 

A antropologia cultural é uma casa construída sobre areia movediça intelectual ... porque a estrutura dos princípios científicos sobre a qual tenta se assentar é inadequada como base de sustentação.” Necessitando “descobrir um terreno sólido onde tal estrutura pudesse ser erguida.

Segundo o autor, a metafísica era o que Aristóteles chamava de filosofia primeira. Nesse sentido indaga: “Os objetos que percebemos são reais ou ilusórios? O mundo exterior existe fora da consciência que temos dele? Pode a realidade ser reduzida a uma única substância? Se sim, ela é essencialmente material ou espiritual? O universo é inteligível e ordenado ou incompreensível  e caótico?

Se uma coisa não tem valor, não pode ser distinguida de nenhuma outra coisa, sendo assim, não existe. Se algo que não pode ser classificado como sujeito ou objeto não é real.

Nesse sentido, diante as perguntas acima formuladas, o autor conclui que existem dois tipos de posições: A primeira dos filósofos da ciência, grupo conhecido como positivistas lógicos que sustentam que somente as ciências naturais podem investigar a natureza e que a metafísica é apenas uma coleção de assertivas não comprovadas. A outra corrente é formada pelos místicos.

Segundo o autor, o termo místico na filosofia difere do misticismo ligado ao oculto, sobrenatural, magia, feitiçaria, etc. O termo místico na filosofia  está em admitir que muitas coisas da natureza  escapa da divisibilidade necessitando de uma linguagem diferente das utilizadas quando se pode estratificar como ocorre com a metafísica. Nesse sentido o autor afirma que a metafísica não uma realidade, mas um “punhado”de opções que podem ser real. “A metafísica é um restaurante onde se oferece um cardápio com trinta mil páginas, mas nenhuma comida.” “no momento em que abrimos a porta para a metafísica podemos dar adeus à compreensão genuína da realidade.

Por outro lado, “a qualidade é uma experiência direta, independente de abstrações intelectuais e anterior a elas.”  “A qualidade é indivisível, indefinível e incognoscível.”
se a Qualidade ou excelência for vista com a realidade última, então se torna possível existir mais de um conjunto de verdades. Então não se busca a “verdade” absoluta. Ao invés disso, busca-se a explicação intelectual para as coisas que apresentar a mais alta qualidade...

Que “verdadeiro é o nome do quer que seja que pareça bom no que diz respeito à crença. A verdade é uma espécie de bem” ou satisfação. Sobre isso explica que essa satisfação não necessita ser moral: “O holocausto trouxe satisfação aos nazistas. Para eles aquilo era qualidade. Consideram-no prático.”  

Que “todo conhecimento humano vem através dos sentidos ou do que se pensa sobre o que os sentidos fornecem.”

E que “É sempre a outra pessoa que está iludida. Ou nós mesmo no passado. No presente nós mesmos nunca estamos iludidos.

Diante isso, “a metafísica da qualidade é essencialmente uma contradição em termos, um absurdo lógico.” Compara como sendo uma definição matemática do aleatório.

Nesse sentido, a metafísica da qualidade é passível de experiência, a ponto que: “Qualquer pessoa, de qualquer tendência filosófica que se sente num fogão quente verificará, sem qualquer argumentação intelectual de qualquer natureza, que se encontra numa situação de inegável baixa de qualidade:  que o valor de sua condição é negativo. Essa baixa qualidade não é apenas uma abstração metafísica vaga, confusa,  cripto-religiosa. É uma experiência.

Que a arte, a moralidade, a religião e a metafísica não são passíveis de verificação.

Pergunta se a realidade precisa ser algo que somente meia dúzia dos físicos mais ilustres do mundo consegue entender?

Nesse sentido, no tabuleiro de xadrez da dialética científica, o que não se pode definir não se pode discutir. “Tentar criar uma metafísica perfeita é como tentar criar uma estratégia perfeita para o xadrez, que garanta a vitória sempre. Isso não existe. Não importa que posição tomemos numa questão metafísica, alguém sempre começará a fazer perguntas que levarão a novas posições que levarão a mais perguntas, num interminável jogo de xadrez intelectual.”  

Sendo assim: “a divisão básica da realidade não é entre sujeito e objeto, mas entre estático e dinâmico.” Por isso é que num primeiro momento, crianças, principiantes e primitivos costumam ser mais ligeiros que adultos, especialistas e cultos. Que em ato contínuo, esses últimos se sobressaem pelo fato de ser a qualidade estática a qualidade da ordem que preserva o nosso mundo, impondo padrões complexos de valores estáticos derivados das experiências primárias.

Nesse sentido: “Toda a vida é uma migração de padrões estáticos de qualidade em direção à qualidade dinâmica”. Nesse aspecto abre vistas a tese evolucionista de Jean Baptiste Lamarck em que: “a vida evolui rumo à perfeição

Que “o mundo chega a nós numa sucessão interminável de peças de quebra-cabeça” e que ”gostaríamos de acreditar que elas se encaixam umas nas outras de alguma forma, mas na verdade elas nunca se encaixam.

Os ornitorrincos vinham botando ovos e amamentando seus filhotes há milhões de anos, antes que chegasse um zoólogo e declarasse isso ilegal.” Essa afirmativa o autor fez para demonstrar que a natureza adora nos pregar determinadas peças e produzir algo que classifiquemos como paradoxo.

Nesse sentido ao tratar da substância o autor compara: “O próximo ornitorrinco a cair é o da substancia. Ninguém jamais viu a substância e ninguém jamais verá. Os dados da física quântica indicam que o que se chama de partículas subatômicas não se enquadra de forma alguma na definição de substancia. As propriedades existem, desparecem, tornam a existir e tornam a desaparecer em pequenos feixes chamados quanta.” ... “Uma vez que os feixes quânticos não são substâncias, e uma vez que é suposição científica corrente que essas partículas subatômicas compõe tudo que existe, segue-se que não existe substância em lugar algum no mundo, e nem nunca existiu. O conceito todo é uma grande ilusão metafísica.

Que a ciência valoriza os padrões estáticos. Quando surge o não-conformismo, é considerado uma interrupção do normal. A realidade que a ciência explica é aquela realidade que segue mecanismos e programas.

Nesse sentido: “parece claro que não existe um padrão mecanicista em cuja direção a vida se encaminhe, mas alguém já perguntou se a vida se encaminha para longe dos padrões mecanicistas?” Responde dizendo que a evolução é temerariamente oportunista e que quanto mais estáticos e irredutíveis forem os mecanismos, mais a vida trabalha para escapar deles.

Que toda evolução é umbilicalmente ligada ao sofrimento: “Se eliminarmos o sofrimento desse mundo, eliminamos a vida.”

E explica: “A lei da gravidade é talvez o mais implacável padrão estático de ordem no universo.  Por outro lado, não há uma única coisa viva que não lute contra essa lei, dia após dia. Quase se poderia definir a vida como uma desobediência organizada à lei da gravidade. Podemos demonstrar que o grau em que um organismo desobedece a essa lei dá a medida do seu grau de evolução. Assim, enquanto um simples protozoário mal consegue rodear seus cílios, as minhocas controlam seu senso de distância e de direção, os pássaros voam e o homem vai até a lua. Os padrões de vida estão evoluindo constantemente em resposta a algo melhor que essas leis naturais têm a oferecer.

Ao final sentencia: “Sem a qualidade dinâmica o organismo não pode crescer. Sem a qualidade estática o organismo não pode durar. Ambas são necessárias.

Não há evolução. As espécies que não sofrem não sobrevivem.

As vezes os loucos e os contras e os que estão à beira do suicídio são as pessoas mais valiosas de que a sociedade dispõe.

Num outro capítulo, ao abordar o fenômeno da ânsia das pessoas idolatrarem celebridades e ao mesmo tempo comemorar suas desgraças, o autor assim descreve: “Amam  por ser o que  gostariam de ser, mas odeiam por ser o que eles não são.

Diz ainda: - "Se ficar famoso demais, irá direto para o inferno... pois você vê a vida a sua volta mas não pode participar dela...Você se divide em duas pessoas, aquela que os outros pensam que você é e aquela que você realmente é, e isso é o inferno Zen”

A celebridade está para os padrões sociais como o sexo está para os padrões biológicos... Sem a força da celebridade talvez fosse impossível haver sociedades humanas avançadas e complexas.... As pirâmides foram expedientes das celebridades. Todas as estátuas, os palácios, os mantos e as jóias... as penas nos cocares dos índios...Todos os Ilustríssimo Senhor, os Reverendíssimos, Doutores,... Todas as insígnias e troféus, todas as medalhas, todas as promoções na escada empresarial, todas as indicações para o primeiro escalão, todos os cumprimentos e bajulações nos coquetéis e chás,... Todas as rixas e batalhas por prestigio...Todo sentimento de ultraje diante de ofensas. Toda a cara digna do oriente,   são todos símbolos de celebridades, tudo é para reforçar a celebridade.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

21) A SEMENTE DA VITÓRIA

NUNO COBRA – A semente da vitória
Conhecido no Brasil e no mundo, Nuno Cobra é um profissional em educação física admirado por todos os que sabem do seu trabalho com atletas profissionais , empresários, deficientes físicos, presidiários, alunos de escolas públicas, autoridades, etc. A base de seu trabalho é a reconstrução do corpo:
Tratando do aprimoramento físico,   trata também do aprimoramento mental.” “Quando a pessoa se desenvolve como um todo a partir do corpo, ganhando nova estrutura, gera auto-estima e consciência de sua capacidade de conquista e amplia suas possibilidades de realização.  A partir daí cria também uma modelagem mental de sucesso. Assim vence o bombardeio de todas as negatividades e resgata o seu poder espiritual.
Nuno Cobra foi dos primeiros a tratar de conceitos que a psicologia moderna coloca no centro dos seus estudos, como a inteligência emocional, tema do qual fala há muitos anos, conforme milhares de pessoas que já o ouviram podem atestar. 
Ficou famoso por ter sido orientador do ex piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. Nessa época, só tinham acesso aos temas por ele abordado os seus alunos ou os que assistiam suas palestras. A semente da vitória apresenta uma fácil leitura e fornece a exposição de motivos sobre a criação do seu método que, em regra, explora a potencialidade das próprias pessoas, fazendo-as perceber-se mais fortes e capazes, possibilitando transformações que imaginavam impossíveis.
Essa metodologia se resume numa frase do autor:
O que antes parecia impossível torna-se possível quando alguém se sente apto a transpor todos os obstáculos, conhecendo a sua verdadeira grandeza interior.
Outras frases interessantes do autor:
‴...coragem só é mesmo coragem quando sentimos um imenso medo.
‴...nada resiste ao trabalho, dedicação, esforço e suor
O cérebro é burro. Quem programa o cérebro são os órgãos do sentido.
 Nesse sentido ele afirma que bem estar provoca mais bem estar e vice versa. Que nós criamos a realidade. Que a emoção é a rainha da vida. Que somos o que pensamos. Que você só chega até onde acha que pode chegar. Que todos têm todas as possibilidades. Que não existe indivíduo forte de um lado só. Que uma pessoa com maior poder de acreditar em si mesma, possui automaticamente mais controle sobre os acontecimentos. Que a vida conspira a nosso favor e é nós que conspiramos contra a vida.
Ao tratar da emoção diz:
A maioria de nós passou a infância e a adolescência numa dura batalha de sobrevivência mental contra as regras de uma sociedade que cerceia nossa capacidade de desenvolver e lidar com as emoções. Somos todos n os, analfabetos emocionais.
Que nesse contexto, o tripé da anulação emocional é constituído pelos pais, escola e religião:
A criança veio ao mundo para representar a magnificência do ser humano e para viver com plenitude. É exatamente o que faz nos primeiros meses e anos de sua vida. Mas essa pessoa será paulatinamente destruída no cerne da sua existência.
Que desde o inicio de nossas vidas, ainda na primeira infância, por necessidade de fazer de nós criaturas civilizadas, nossos pais, cuidadosamente, vão nos enchendo de negatividades. Nesse contexto o autor afirma que são as críticas, os nãos, as repreensões ou repressões, em que sempre se salientam nossos erros. Os acertos e façanhas , esforços e vitórias  parecem não receber a mesma atenção.
Por uma questão cultural, os acertos são vistos como obrigação deixando sempre o “saco”das positividades vazio.
Com o tempo, nossos erros passam a ser o ponto de referencia e isso é desastroso numa personalidade em formação. Querendo nos fazer fortes, nossos pais, professores e lideres religiosos nos enfraquece, mesmo que imbuídos de boa intenção.
Como resultado de tudo isso, no mundo a ordem é falar mal. Todos derrotam todos. Todos anulam todos. Há que se inverter esse processo de derrota e injetar na sociedade um elemento de progresso e de conquista. Ninguém dá o que não tem.
Pensar é uma coisa, viver é outra. Todos sabem o que é bom pra nós, poucos  vivem para essa causa.
O infarto não é fatalidade, mas sim conseqüência de estilo de vida. Sono adequado, alimentação balanceada, atividade física sistemática, relaxamento e meditação; afasta você do infarto.
 Precisamos ficar atentos às reações do nosso corpo. O corpo fala e sempre diz se está sofrendo.
Tudo que você pode comprar não tem valor. Aquilo que você não pode comprar é porque você um dia já ganhou no pacote da vida. O doente é aquela pessoa que rompeu com os fundamentos básicos da vida. Você pode ter 60 anos e estar com 30.
Equilibrando-se precariamente sobre uma prancha é que o surfista consegue atingir a crista da onda.
Nossos ancestrais não tinham luz elétrica... O homem antigo  dormia e acordava com o dia. Herdamos geneticamente a necessidade do escuro. 
Nesse sentido o autor afirma: Todos nós temos necessidade de escuro total.
No capítulo que o autor fala da importância do sono, ele oferece um exemplo bastante interessante ao comparar o organismo a uma conta bancária. Os juros sempre são muito caros. Nesse sentido o autor afirma:
O organismo é como uma conta bancária numa instituição financeira na qual você pode entrar em débito algumas vezes mas não pode estar no negativo o tempo todo, porque o organismo cobra caro.
A pessoa que se diz insubstituível será substituída muito antes do que possa imaginar.
No capítulo que se propõe a romper velhos hábitos, as frases selecionadas são:
Nunca se comeu tanta coisa diferente e com tanta indiferença.
E ainda: Você não come o que você gasta, mas gosta do que você come.
O correto é fazer um número maior de refeições com uma quantidade menor de alimentos.
Nesse sentido:
...é necessário se alimentar muito para que possa se alimentar pouco ... Alimentar-se muito significa ingerir alimentos várias vezes ao dia. Alimentar-se pouco significa ingerir pequenas quantidades em cada refeição.
Temos hoje uma quantidade de alimentos que se ingere a mais contra a quantidade de movimento que se tem a menos.
O autor sugere o consumo de pouca carne e faz a seguinte reflexão: 
Quando me refiro às carnes, quero dizer pouca carne. Não nos cabe dizer se comer carne é bom ou ruim, mas aceitamos que possuímos um intestino de 8 metros próprio para folhas, raízes, grãos, diferente do intestino de 80 centímetros dos carnívoros.
Por outro lado, tem uma reflexão que ouso registrar nesse contexto. Na natureza os animais carnívoros (leão, tigre, lobo,) são mais astutos que os herbívoros (bovinos, caprinos, eqüinos). A águia é muito mais perspicaz e evoluída que uma galinha. Os macacos carnívoros sempre dominaram os macacos vegetarianos. A carne vermelha começou a ser problema devido nosso sedentarismo. Mas voltemos nas reflexões do autor:
Não adianta massacrar nosso corpo numa academia, numa pracinha, num parque, correndo como louco, ou ter pressa de voltar ao peso ideal indo a um SPA e consumindo 300 calorias por dia. Ou ainda utilizando medicamentos para não ter fome de uma vez. Cuidado com os exageros que complicam tudo e trazem ainda mais prejuízo ao já combalido organismo.
Nesse sentido:
...o organismo se chama organismo justamente porque se organiza....“Quando se controla demais a vontade, ela volta de forma incontrolável...O importante é encontrar o equilíbrio e não se basear nessa fórmula de peso e altura.
Ao tratar do capítulo que aborda o movimento o autor afirma:
Os ‘halteres’ do coração são as pernas.
Em seguida no capítulo Acorde o seu deus dormente destaquei os seguintes trechos:
Quando digo que temos essa divindade interna, quero deixar claro que cada ser humano é um deus.., apenas não está deus ainda porque não se apropriou desse poder.
Sob a ditadura do raciocínio, fica mesmo difícil, senão impossível, estabelecer uma conexão com a divindade interna, o que faz com que as pessoas vivam desconectadas de si próprias, incapazes de se ligarem em sua intuição.
Conheça a si mesmo e conseguirá dominar suas emoções.
Enquanto, para muitos, os fatos não passam de dados da realidade que devem ser enfrentados com coragem e decisão, para outros assumem proporções catastróficas, viram coisas desesperadoras, capazes até de provocar doenças.
A ansiedade é estar com a cabeça onde o corpo não está. É estar preocupado com um problema antes de ele acontecer. É como o próprio nome diz: estar pré ocupado, querendo antecipar a ocupação. O grande problema é que o trabalho que espera ou determinada ocupação com a qual você tem de se envolver no dia seguinte não está ali naquele momento, então só atrapalha você estar pensando nisso. O mínimo que você pode fazer para a sua cabeça, para a sua saúde, é envolver-se  com o problema quando chegar o momento de resolvê-lo.
A meditação é uma excelente forma de diminuir bastante esse estado de querer resolver os problemas antes da hora.
Exija sempre que sua cabeça esteja exatamente onde está seu corpo. Na hora em que tem de se envolver com qualquer tarefa que seja, ponha sua cabeça inteiramente nela. Essa é a hora de se ocupar total e absolutamente,  mas, quando terminar e mudar de cena, leve sua cabeça junto. ... Não se preocupe, se ocupe.
 No último capítulo do livro que trata da ecologia interior:
O homem não existe fora da natureza... O homem moderno, no entanto, parece ter se esquecido disso e sofre os efeitos da perda de identidade, tendo dificuldade de interação com ele mesmo e já mostrando os efeitos de se tornar cada vez mais um ‘filho desnaturado’ da grande mãe natureza.
Nós não podemos ficar presos entre paredes. O homem não vivia assim. Ele nem sequer usava roupas.
É impossível limpar o mundo sem limpar nossa cabeça, porque o mundo é um eco do que se passa conosco... você é o que você pensa.
Você tem que fabricar o seu destino e não chorar o seu destino.
Praticamente 90% da humanidade está descontente com a vida que leva, mas ninguém deseja realmente mexer no seu status quo. Todo mundo quer ficar do jeito que está, mesmo que esteja horrível.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

19) PONTO DE VISTA - Uma vida sobre o arame

UMA VIDA SOBRE O ARAME

Ouso em trazer à baia da discussão um tema totalmente polêmico, porém presente em nossa sociedade que é a pedofilia. Tanto é presente que na cidade de Londrina preencheu as pautas jornalísticas de todos os meios de comunicação da cidade e causou perplexidade, principalmente no meio político e jurídico, tendo como desfecho a prisão do amigo Marcos Colli. 

Sim, eu como centenas de pessoas do meio político e jurídico, mantínhamos uma relação de amizade com Colli antes dele “cair” e sem entrar no mérito da culpa ou inocência dele, o fato é que ele foi preso preventivamente por suposta prática de abuso a vulnerável. E podem ter certeza, no nosso dia a dia mantemos relação de amizade com muitos outros pedófilos que ainda não “caíram” e por isso não sabemos que padecem desse problema. 

O que leva a pessoa correr esse risco tão grande? É como se a pessoa fosse obrigada a atravessar por um arame esticado sobre um precipício, cuja equidistância inexiste, ou seja, a vida toda andando no arame sem chegar nunca do outro lado. Óbvio que o risco de “cair” é real. 

Quantos dos leitores que estão lendo esse artigo aceitaria transportar droga ilícita num voo internacional por, digamos, 100 mil reais? Penso que poucos, porque, fora à questão moral, analisariam o risco de serem pegos e presos por tráfico internacional, cujas consequências são de natureza gravíssima. 

E quando a prática da ilicitude não envolve dinheiro, mas tão somente a tara sexual? Antes do Marcos Colli “cair” ele viu outras pessoas ilustres, dentre os quais alguns religiosos “caírem”, mas não foi suficiente para ativar seu freio inibitório ou mesmo procurar preventivamente um tratamento (se é que existe). 

Que poder é esse que torna a pessoa totalmente escrava do seu tesão? Essa força que a natureza impôs aos seres sexuados para garantir a preservação da espécie, mas que leva o ser humano a labirintos tão profundos quando direcionado a desejos tidos como não normais? 

O problema todo começa quando esses desejos anormais são direcionados a atitudes ilegais e criminosas, levando a pessoa a se aprisionar numa espécie de limbo comportamental. Por ter essa compreensão me recuso a fazer parte da galera que brada que o Imperador jogue Marcos Colli aos leões para ser devorado. 

Não, Deus não me deu o dom da lucidez para fazer isso. Rogo que a justiça seja feita na medida exata, tal como seria para o suposto acusado de tráfico internacional citado no exemplo acima e rezo para que o Colli, caso realmente sofra desse distúrbio , consiga sair desse arame sobre o precipício e poder, na medida do possível, terminar sua vida andando em terra firme.

18) 50 TONS DE CINZA

Art. 1o  Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

O artigo citado acima é da Lei 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha. Essa Lei foi criada com objetivo de estabelecer medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Assevera a referida Lei que toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Fora isso, a Lei assegura às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Impõe que o poder público deve desenvolver políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Dispõe finalmente que na interpretação da Lei Maria da Penha, serão considerados os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

A pergunta que se faz é: Porque foi necessário criar uma legislação especial como a Lei Maria da Penha? Afinal, o Código Penal já não dispõe de previsão suficiente para punir crimes de violência contra quem quer que seja?

Reponde-se: Legislações especiais são criadas normalmente, porque a legislação ordinária não está sendo suficientemente eficaz para inibir determinados crimes. Daí temos legislações especiais para proteger a criança e o adolescente, o idoso, o índio, etc. Com a mulher não foi diferente.

E porque toda essa abordagem para comentar o livro 50 tons de cinza? Justamente porque o escopo do livro reporta sobre a tara sexual de um bilionário que consiste em fazer o que em toda a história da humanidade sempre foi feito. Submeter a mulher a torturas físicas e psicológicas.

O que mais intriga é o fato do livro ter sido escrito por uma mulher americana e bem sucedida, ou seja, totalmente distante da realidade de uma mulher pobre da África, da America Latina, da Ásia ou do Oriente Médio. Outro ponto instigante é o sucesso de vendagem.

Anastasia Rose Steele, a personagem principal do livro, vive um dilema por ter se apaixonado por Christian Grey, um dos homens mais cobiçados dos Estados Unidos, mas que é aficionado pelo BDSM, fazendo a linha de Mestre Dominador. 

Uma menina classe média baixa se apaixonar por um homem jovem, belo e rico não é nada difícil. O problema é ter que apanhar por isso.

O BDSM começou a ser difundido e vivenciado a partir de dois personagens históricos, cujos nomes originaram os termos Sadismo e Masoquismo. O sadismo proveio de Marques de Sade , já o masoquismo de Conde de Masoch. 
Uma obra famosa de Marquês de Sade foi “120 dias de Sodoma”. Nesta obra ele conta a história de quatro ricos homens libertinos que resolvem experimentar a definitiva gratificação sexual em orgias.

Para isso, eles se trancaram por quatro meses num castelo inacessível com um harém de quarenta e seis vítimas, a maioria adolescentes de ambos os sexos, e recrutaram quatro cafetinas para contar a história de suas vidas e suas aventuras.

A narrativa das mulheres se torna inspiração para abusos sexuais e tortura das vítimas, que escala gradualmente em intensidade e termina em assassinatos.
Sade escreveu "120 dias de Sodoma" no espaço de trinta e sete dias em 1785, enquanto estava preso na Bastilha. Tendo pouco material e temendo que o livro fosse confiscado, ele o escreveu numa letra minúscula e um rolo contínuo de papel com doze metros de comprimento. Quando a Bastilha foi atacada e saqueada em 14 de Julho de 1789 durante o início da Revolução Francesa, Sade pensou que o trabalho estaria perdido para sempre e chegou a escrever que "chorou lágrimas de sangue" por sua perda.

Porém, o longo rolo de papel onde o texto estava foi posteriormente encontrado escondido em sua cela, tendo escapado da atenção dos saqueadores. Ele foi publicado pela primeira vez em 1904 pelo psiquiatra berlinense Iwan Bloch (que usou um pseudônimo, "Dr. Eugen Dühren" para evitar a controvérsia). Somente na segunda metade do século XX é que o texto se tornou disponível em edições em inglês e francês.
O manuscrito original está preservado na Biblioteca Bodmeriana, em Coligny, nos arredores de Genebra, na Suíça.

Do outro lado, Leopold Ritter von Sacher-Masoch, conhecido como Conde de Masoch, foi um escritor e jornalista austríaco, que teve seu nome como referência ao termo masoquismo. O termo deriva de seu nome graças ao seu romance A Pele de Vênus (1870).
A história de A Pele de Vênus é protagonizada por Severin, um jovem nobre, cujo pai possuía terras na região da Galícia; e Wanda, uma também jovem viúva que vivia em sua propriedade nos Cárpatos.

A paixão entre os dois personagens se inicia com uma discussão sobre a possibilidade de efetiva felicidade das duas partes em uma relação duradoura entre homem e mulher.

Wanda e Severin discutem a possibilidade de uma relação entre homem e mulher trazer efetiva felicidade para ambas as partes. Uma suposta tendência a dominação rege a discussão, frequentemente representada pela figura de um martelo que golpeia uma bigorna, acusando que no amor um necessariamente domina (o martelo) e o outro necessariamente é dominado (a bigorna).

A solução para a discussão é o elemento que tornou célebre o livro de Sacher-Mascoh, Severin sugere a Wanda que seja o seu escravo, acordo que é selado com um contrato que põe a vida de Severin nas mãos de sua amada.

A história é salpicada de cenas em que o personagem é amarrado e chicoteado por Wanda e, mesmo, por uma cena em que ele é posto a puxar uma arado sob chicotadas.

Severin declara sentir prazer com tais experiências, durante as quais, pede que sua amante vista-se com roupas de peles de animais.

O prazer em sentir dor e humilhação relatados pelo escritor foram eternizados sob o termo derivado de seu nome masoquismo pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing. Ficando ainda mais conhecido depois que Sigmund Freud o emprega.

No entanto, esse aspecto parece ser apenas o pano de fundo para a discussão da dominação no seio de uma relação amorosa; a qual Sacher-Masoch conclui ao final do livro: "[...]a mulher, tal como a natureza criou e como o homem atualmente a educa, é sua inimiga, podendo tão-somente ser sua escrava ou sua déspota - jamais a sua companheira. Isto, só quando ela tiver os mesmos direitos que ele, só quando por nascimento, pela formação e pelo trabalho, for igual a ele.".

Em alguns países do mundo, dentre estes o Brasil, a mulher vem conquistando esse status sonhado por Masoch, onde podemos perceber e sentir a manifestação da natureza feminina se aflorar, haja vista possuir uma tendência dominadora sem limites.

Meu ponto de vista de tudo isso é o seguinte: Tanto Marquês de Sade como Conde de Masoch eram homens nobres, brancos e ricos, que viveram na Europa nos séculos XVIII e XIX. Mesmo pertencendo no ápice da pirâmide social, política, econômica e racial das suas épocas, somente um realizou de fato seus desejos mórbidos sexuais, o que tinha fixação em submeter e sodomizar principalmente mulheres e crianças.

O que tinha fixação em ser escravizado por uma mulher, não teve condições de materializar seus desejos, tendo como único escape  a ficção, ou seja, escrevendo uma obra literária.

Trata-se de uma cultura alimentada por milênios de que um homem dominar sua esposa ainda é considerado aceitável, sendo que na medida inversa o marido seria considerado um banana, um frouxo ou coisa que o valha.

Interessante é que esse fenômeno atinge até mesmo aqueles que se dizem libertos dessa tendência, como por exemplo o público adepto do chamado BDSM.

É o caso da mulher dominadora que se realiza diante a sodomização do parceiro, especialmente quando ele está travestido.

Elas se utilizam do instrumento fálico e da feminização forçada do parceiro, para provocar o extremo da humilhação ao suposto “escravinho”. Só que mal sabe essa Senhora que está reproduzindo o bom e velho machismo, na medida que admite que tem que ser mulherzinha pra ser dominado e humilhado e tem que ter o objeto fálico para dominar e humilhar.

Em resumo, foi essa impressão que tive dos 50 tons de cinza. Nada de novo. Tudo velho. Tivesse narrado uma estória da mulher poderosa e rica desejando “construir” seu escravinho, montando, amarrando, batendo e pisando com seus saltos finos, possivelmente não causaria o êxtase que causou, em especial no público feminino.



Por se tratar de uma trilogia com outras duas obras (50 tons mais escuros e 50 tons de liberdade), pode ser que contenha esse contexto, haja vista uma personagem oculta descrita no 50 tons de cinza, que seria a provável responsável em tornar Christian Grey sádico daquela forma que tanto incomodava Anastasia. Não tive motivação da leitura das outras duas obras por puro preconceito em perder tempo com assunto tão velho na história da humanidade.

Mesmo porque, não comungo com essa corrente que acredita que a pessoa expressa determinada forma de sexualidade devido algum tipo de trauma ou coisa que o valha. Trata-se ainda de um cavernoso e desconhecido mundo que até pode admitir aparência desse contexto, mas cuja essência está abissalmente longe da nossa compreensão.

Comparo essa força da sexualidade com a força da gravidade. Esta se manifesta branda nos muitos planetas, mas poderosa e suprema nos buracos negros em que nem a luz escapa. Àquela se manifesta branda na maioria das pessoas, mas forte quando desvirtuada. Tão forte que quando a pessoa é acometida por desejos sexuais criminosos, ela, mesmo sabendo tratar-se de crime, não encontra forças para se abster, como é o caso dos pedófilos, necrófilos, zoófilos e tanatófilos, ou seja, pessoas que, motivados pela atração sexual, têm prazer em molestar criança, defunto, animal e até matar.

Sobre esse contexto, quando da prisão do advogado Marcos Colli, escrevi uma metáfora, comparando  a tara da pedofilia a um individuo condenado a andar sua vida toda sobre o arame. Para quem não leu, segue a integra na próxima publicação. 

Já o Sadomasoquismo, assim como o homossexualismo, vêm conquistando cada vez mais um espaço de tolerância, haja vista o caráter consensual que os cerca, envolvendo normalmente duas pessoas conscientes e adultas, que contratualizam uma relação tida como anormal ou pervertida.

O 50 tons de cinza, penso eu, tenta amenizar essa relação BDSM que começa a sair das revistas e filmes pornográficos tidos como  pervertidos, para uma discussão romântica e literária, mesmo que na égide machista, tão velha como a própria humanidade.

Noutra ponta, como aperitivo fetichista, pra quem curte três modalidades bastante difundidas na relação SM de mulheres que adoram pisar, montar ou sentar no rosto do parceiro, basta acessar o youtube e pesquisar:

Trampling ou trample para ver mulheres pisando;

Ponyboy para ver mulheres montando em seus cavalinhos humanos;

Facesitting para ver mulheres sentando sobre a face ou cabeça do parceiro.

Veja ainda face trampling e hand trampling e deixe sua opinião.