Existem temas que as pessoas fogem dele. Nada é mais frustrante para um debatedor socrático que um interlocutor contaminado pela superstição ou pelo medo de esgotar o debate sob a medíocre intersecção de que “futebol, política e religião não se discute”. Sob esse odioso chavão, aproveitam para enlatar todos os temas considerados polêmicos. A meta é que o Blog atinja 1.000 temas polêmicos, e, ao final virar um livro com os principais debates produzidos pelos internautas. Joselito Hajjar
segunda-feira, 8 de abril de 2013
15) O RIO NASCE NA MONTANHA E SEGUE RUMO AO MAR
O RIO NASCE NA MONTANHA E SEGUE RUMO AO MAR
Publicado no ano 2.000 pela Editora Juruá – Curitiba/PR 228 páginas - ISBN: 85-7394-682-2
Trata-se de um romance escrito por Gilberto Ferreira que aborda estórias de ficção.
O enfoque principal tratou da estória é de um homem de aproximadamente 25 anos, portador de psicopatia sexual e que lhe transformou em estuprador e assassino.
Possivelmente influenciado pela profissão de magistrado conhecedor da entranhas humanas reveladas nos incontáveis processos que presidiu, apresenta uma visão ambígua sobre esse tipo de doença.
Em resumo: O referido homem estupra e mata uma menina de 15 anos. Arrependido, decide vender tudo e mudar-se para uma cidade distante, estabelecendo uma promessa pessoal de não ter mais relacionamentos amorosos, assim como, doar 20% de tudo que ganhasse para instituições de cuidado a crianças carentes.
O pai da menina trava uma luta hercúlea para aprovar a pena de morte afim de vingar a morte da sua filha. Depois de muita discussão a lei é aprovada, inclusive com um dispositivo atentatório ao principio da irretroatividade.
Por sua vez o homem de nome Gonçalo, vai se transformando numa espécie de salvador da pátria daquela cidade que adotara, tanto pela sua prosperidade, como benevolência.
Acaba mantendo um relacionamento com uma moça cega que de certa forma lhe “cura”, pois consegue manter relacionamento sexual com ela e dominar seus instintos psicopata.
No final ele é preso e a moça cega acaba descobrindo sua doença. O o pai da menina o perdoa, mas mesmo assim ele é condenado à morte.
A narrativa da estória de Gonçalo é intercalada com outras três estórias.
De um menino excepcional de nome Marcelinho que tem extraordinário poder de decorar livros e recitar o conteúdo como se fosse expressão de conhecimento.
Da moreninha. Uma moça vítima da miséria que se transforma em prostituta e acaba casando com um dos clientes.
Do grupo de notáveis constituído por profissionais liberais, fazendeiros, dentre outros, numa espécie de Rotary ou Lyons, com destaque aos posicionamentos ideológicos de um advogado com visão de esquerda e um dentista com visão de direita. No grupo conta ainda com um padre, um pastor e uma fazendeira chamada Dona Cacilda que acaba morrendo de câncer por causa do cigarro.
Tanto na estória do Gonçalo, como nas estórias assessórias, o autor expõe uma nítida visão socialista, porém abre vistas a conceitos extra ideológicos.
No que diz respeito na estória do Marcelinho, um destaque interessante, pois ao relatar os conteúdos decorados pelo menino em livros que mantinha escondido num porão, o romance é repleto de curiosidades como a história do cristianismo, outras religiões como judaísmo, islamismo, budismo. Aborda filosofia, invenções do baralho com significado dos naipes, do jogo de xadrez, questões matemáticas, a origem da América, histórias da intimidade de inventores como Gutenberg que inventou a impressão gráfica, da invenção da Guilhotina por um médico (destaco aqui um poema de Bocage) – “Consta que um médico fora inventor da guilhotina – Deu bem rapidez à morte – Mostrou saber medicina.”
Em resumo, ao narrar a estória do Marcelinho, o autor nos brinda com um cardápio de curiosidades, que provavelmente passaria a vida sem aprender.
O advogado do grupo de notáveis também contribui bastante em curiosidades históricas do direito.
Tirando o lado ideológico da obra, que acaba por produzir alguns deslumbramentos (na maioria protagonizado por Gonçalo), atribuo uma boa nota, justamente pelas curiosidades trazidas e pela fácil redação, propiciando uma leitura agradável.
SOBRE O AUTOR: Gilberto Ferreira, quando escreveu a obra atuava como Magistrado em Curitiba, Mestre em Direito e Professor da PUC, da Escola da Magistratura de Curitiba e do instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos. Com diversos artigos publicados em revistas especializadas, é autor também do livro Aplicação da Pena – Editora Forense.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
14) TEORIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO
A presente obra é de
estudo e não de mera leitura. Trata-se de um trabalho filosófico-jurídico
sintetizado pelo doutrinador italiano Norberto Bobbio. Na nossa avaliação o
ponto alto da obra se verifica no item 3 do Capítulo 3 que trata das
antinomias, ou seja, das normas incompatíveis entre si.
Para esclarecer este ponto
o Autor relaciona quatro situações de qualificação normativa, a saber: a norma
que obriga; a norma que proíbe; a norma que permite tudo e a norma que permite somente uma conduta específica. Veja o quadro abaixo:
A norma que obriga algo tem
como norma absolutamente contrária a norma que proíbe a mesma coisa, sendo portanto
incompatíveis no sistema jurídico. Nesse aspecto ressalta que em situações como
esta, o operador do direito jamais se
posicionará favoravelmente a ambas normas, considerando sempre que uma seja verdadeira
e outra falsa, ou mesmo ambas falsas.
A representação gráfica
desse raciocínio é apresentada no quadro abaixo, onde “O” representa a norma
que obriga, e “O não” representa a norma que proíbe.
Ex: “Lei A” diz que o “comportamento
X” é obrigatório, mas a “Lei B” diz que esse comportamento é proibido. Ou ambas
normas são totalmente falsas ou uma só é verdadeira.
Imagine-se se o
“comportamento X” seja dirigir veículo automotor. Não é possível admitir que
tal comportamento seja tido como absolutamente obrigatório e nem que seja
absolutamente proibido. Nessa situação, o operador do direito estaria diante a
duas normas fundadas em premissas falsas.
Por outro lado, se o
“comportamento X” for votar nas eleições dos 18 aos 70 anos, uma será
considerada verdadeira a outra falsa. Utilizamos esse exemplo porque tal
situação no Brasil é obrigatória e uma norma que proibisse votar seria norma
falsa.
No segundo quadro a
representação consiste entre a norma que obriga
e a norma que permite apenas determinada conduta dentre o universo da
conduta obrigatória, sendo então contraditórias e não contrárias. A relação
entre ambas é de subordinação da norma mais abrangente (“O”) de contexto
obrigatório, sobre a norma menos
abrangente (“não O”) de contexto
permitido negativo.
Nesse aspecto, tal como na
situação anterior, operador de direito deverá se posicionar favoravelmente ou
contrariamente a umas das normas conforme o caso concreto apresentado, porém, diferente da
situação antinômica acima, sempre uma
será verdadeira e outra falsa. Nunca ambas verdadeiras ou ambas falsas.
Ex: “Lei A” diz que o
“comportamento X” é obrigatório, mas a “Lei B” diz que um determinado
comportamento (contido na mesma natureza do “comportamento X”) é permitido. Ou se
acata a Lei A e despreza a Lei B, ou o
inverso.
Imagine-se se o
“comportamento X” seja votar nas eleições dos 18 aos 70 anos e a “Lei B”
permite o voto dos jovens entre 16 e 18 anos e idosos acima de 70 anos.
Não é possível admitir que
alguém na faixa etária de 18 a 70 anos invoque
a Lei B, como jovens e idosos na condição de não obrigados, invoquem a Lei A.
Daí serem contraditórias e não contrárias.
Da mesma forma,
contraditórias e subalternas são as normas que proíbem determinada conduta (“O
não”) e a que permite uma conduta menos abrangente, mas que esteja contida na
conduta proibida (“não O não”), também chamada de “permitido positivo”.
Conforme demonstrado no
terceiro quadro, tal como no exemplo anterior, sempre uma norma será verdadeira
e outra falsa. Nunca ambas verdadeiras ou ambas falsas.
Um exemplo clássico dessa
antinomia está a proibição estabelecida no artigo 28, inciso III da Lei 8906/94
e a exceção permissiva no §2º do mesmo artigo, senão vejamos:
Art. 28. A advocacia é
incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades:
I - ...
II - ...
III - ocupantes de
cargos ou funções de direção em Órgãos da Administração Pública direta ou
indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias
de serviço público;
IV - ...
V - ...
VI - ...
VII - ...
VIII - ...
§ 1º A
incompatibilidade permanece mesmo que o ocupante do cargo ou função deixe de
exercê-lo temporariamente.
§ 2º Não se incluem
nas hipóteses do inciso III os que não detenham poder de decisão relevante
sobre interesses de terceiro, a juízo do conselho competente da OAB, bem como a
administração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico.
Veja-se que se não houvesse o parágrafo segundo,
qualquer pessoa que ocupasse qualquer cargo ou função de direção na
administração pública estaria impedido de advogar. O parágrafo segundo ameniza
a prescrição da norma, haja vista que na vida prática, algumas funções não
detém poder de decisão relevante sobre interesse de terceiros, como é o caso de
um diretor de escola pública, só para ficar nesse exemplo.
Por óbvio o legislador quis atingir o Diretor de
uma importante estatal, os Secretários e Ministros de Estado, etc., cuja
atuação profissional lhe dá inquestionável prestígio, bem diferente de um simples
diretor de escola pública.
Caso o legislador não tivesse previsto a exceção na
regra, inibiria milhares de bons diretores de escola, recusar a missão muitas
vezes delegadas pelos alunos, para não sofrer sérios prejuízos na sua vida
profissional.
A
seguir, temos a quarta situação em que quadro representa a antinomia entre o
Obrigatório (“O”) e o permitido positivo (“não O não”).
Se
uma ação é obrigatória, é necessariamente também permitida, devendo então essa
segunda situação ter aspecto de subalternidade, uma vez que não é possível afirmar
o contrário, ou seja, que por ser permitida àquela respectiva ação, a mesa seja
também obrigatória.
Sendo
assim, a norma que obriga uma determinada ação, tem relação de superimplicaçao
sobre a norma que permite essa mesa ação. Por outro lado, em caminho inverso, a
norma que permite determinada ação tem relação de subimplicação sobre a norma
que obriga.
Nesse
sentido, existe uma relação cuja implicação é de que a norma que obriga deduz a
verdade da norma que permite e não vice-versa, ou seja, a norma que permite
pode ter relação de verdade com a norma que obriga como também de falsidade.
Exemplo:
Lei A determina obrigatoriedade de
pessoas do sexo masculino servir as forças armadas. A Lei B permite que dentre
os obrigados, se de preferência a quem manifeste interesse em servir as forças
armadas, de forma que, mesmo tendo uma norma obrigando, existe um voluntarismo
manifesto do obrigado. Como foi dito, a norma que obriga o serviço militar, tem
relação de superimplicaçao sobre a norma que permite a dispensa a quem não
manifeste interesse.
Por
outro lado, caso ninguém manifestar interesse em servir de forma “voluntária”,
a Lei B não exercerá influência sobre a Lei A, prevalecendo a regra da
obrigatoriedade, daí ter relação de subimplicação, cujo suposto direito de
dispensa que alguém venha reclamar será conceituado como premissa falsa.
A
quinta relação antinômica exposta por Norberto Bobbio diz respeito entre uma
norma que permite positivamente (“não O não”) e outra que obriga (“O”).
vez aprovado, para realizar a inscrição, a prova de
conclusão é obrigatória.
Da mesma forma descrita na quarta relação antinômica, a norma que obriga uma determinada ação, tem relação de superimplicaçao sobre a norma que permite essa mesa ação. Por outro lado, em caminho inverso, a norma que permite determinada ação tem relação de subimplicação sobre a norma que obriga.
A sexta e última relação antinômica está entre a norma que permite de forma positiva ("não O não") e a norma que permite de forma negativa ("não O").
Como
dito no exemplo anterior, a norma permissiva positivada tem natureza objetiva e
fechada, enquanto a que permite de formas negativa tem natureza subjetiva e
aberta. A norma permissiva positiva é taxativa, enquanto a norma permissiva
negativa é por exclusão.
Ao
contrário do primeiro exemplo de normas contrárias (Obrigatória x Proibida), em
que ambas normas podem serem falsas, mas não podem ser ambas verdadeiras, neste
exemplo são consideradas subcontrárias, donde ambas podem ser verdadeiras, mas
não é possível ser ambas falsas.
Para
trazermos esse último conceito à inteligência de um exemplo concreto, o que
achamos mais adequado foi a desoneração criminal sobre uso de drogas para
consumo próprio, nos termos do artigo 28 da Lei 11.343/2006, senão vejamos:
Art.
28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo,
para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação
legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I -
advertência sobre os efeitos das drogas;
II -
prestação de serviços à comunidade;
III -
medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
§ 1o
Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou
colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou
produto capaz de causar dependência física ou psíquica.
§ 2o
Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à
natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em
que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta
e aos antecedentes do agente.
§ 3o
As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas
pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses.
§ 4o
Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste
artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
§ 5o
A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários,
entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos
congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem,
preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e
dependentes de drogas.
§ 6o
Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput,
nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, poderá o
juiz submetê-lo, sucessivamente a:
I -
admoestação verbal;
II -
multa.
§ 7o
O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator,
gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para
tratamento especializado.
Trata-se
de uma permissão positiva sobre consumo das mesmas drogas que são proibidas no
artigo 33 da mesma Lei.
Vale
dizer que é permitido consumir todas as drogas que não estão na portaria
governamental (permissiva negativa) e as que estão na portaria governamental,
desde que em pequenas quantidades para consumo próprio (permissiva positiva).
Veja que a permissividade negativa é real e
inconteste enquanto a permissividade positiva é circunstancial e dependente de
avaliação subjetiva (ver §2º do art. 28).
Como
dissemos, admite-se que ambas sejam verdadeiras ou somente uma verdadeira e
outra falsa. Jamais admite-se que ambas sejam falsas.
Passaremos
agora a abordar a obra sobre um contexto geral.
Norberto
Bobbio pertence a uma corrente jusfilosófica que se costuma chamar de “escola
analítica” ou “positivismo analítico”. Desde a década de 1950, seus trabalhos,
marcam um nítido programa de reformulação dos estudos de Direito, que então se
limitavam a uma polêmica tediosa e infecunda entre o chamado jusnaturalismo e
positivismo.
Norberto
Bobbio foi professor das Universidades italianas de Siena e Pádua e catedrático da
Universidade de Turim. Nessa condição foi um dos primeiros doutrinadores a
voltar-se para a metodologia da ciência do Direito, segundo uma análise
lingüística.
A
marca de sua obra é a finura da análise, rigor terminológico, disciplina de
pensamento e um formidável acúmulo de informação.
Sobre
isso Tulio Ascarelli (jurista italiano) disse: “na atual crise de valores, o
mundo pede aos juristas idéias novas, mais que sutis intepretações.”
Para
Bobbio soube enfrentar as crises postas diante dele. Dizia: “uma crise só se torna um desastre quando
respondemos a ela com juízos pré formulados, isto é, com preconceitos”.
Quando
a sociedade atravessa uma fase de profunda mudanças. A Ciência do Direito
precisa estabelecer contatos com as Ciências Sociais, superando-se a formação
jurídica departamentalizada , com sua organização sobre uma base
corporativo-diciplinar , de comportamentos estanques.
O
livro é composto de cinco Capítulos, a saber:
O
primeiro Capítulo aborda o tema: “Da norma jurídica ao ordenamento jurídico”,
cujos subtópicos tratam da novidade do problema do ordenamento; do ordenamento
jurídico e definição do Direito; da pluralidade de normas e dos problemas do
ordenamento jurídico.
O
Capítulo 2 trata da Unidade do Ordenamento Jurídico, tendo sete subtópicos que
abordam as fontes reconhecidas e fontes delegadas; dos tipos de fontes e
formação histórica do ordenamento; das fontes do Direito; da construção
escalonada do ordenamento; dos limites materiais e limites formais; da norma
fundamental; do Direito e da força.
O
terceiro Capítulo aborda a coerência do ordenamento jurídico, trazendo nos
subtópicos diretrizes sobre deste ordenamento como sistema; dos três
significados de sistema; das antinomias e seus vários tipos (que já abordamos),
incluindo ai os critérios para a solução das antinomias e insuficiência dos
critérios com seus conflitos, além do dever da coerência.
O
quarto Capítulo trata da completude do ordenamento jurídico cujos subtópicos
tratam dos problemas das lacunas; do dogma da completude; da crítica da
completude; do espaço jurídico vazio; da norma geral exclusiva; das lacunas
ideológicas; dos vários tipos de lacunas; da heterointegração e
auto-integração; da analogia e dos princípios gerais do Direito.
Por
fim, o quinto Capítulo trata das relações entre os ordenamentos jurídicos,
cujos subtópicos sistematizam a pluralidade dos ordenamentos; dos vários tipos
de relação entre ordenamentos; do Estado e ordenamentos menores; das relações
temporais, espaciais e materiais.
Destaca-se
as seguintes frases:
“Direito
não é norma, mas um conjunto coordenado de normas”
“...uma
norma que comandasse uma ação necessária ou proibisse uma ação impossível seria
inútil; de outro lado, uma norma que proibisse uma ação necessária e ordenasse
uma ação impossível seria inexeqüível.”
“Se
é verdade que um ordenamento jurídico é definido através da soberania, é também
verdade que a soberania se define através do ordenamento jurídico.”
“...
juiz é aquele ao qual uma norma do ordenamento atribui o poder e o dever de
estabelecer quem tem razão e quem não tem, e de tornar assim possível a execução
de uma sanção.”
“...
não existem ordenamentos jurídicos porque há normas jurídicas, mas existem
normas jurídicas porque há ordenamentos jurídicos distintos dos ordenamentos
não-jurídicos.”
“...
fontes do direito são aqueles fatos ou atos dos quais o ordenamento jurídico depender
a produção de normas jurídicas.”
“Poder
e dever são dois conceitos correlatos; um não pode ficar sem o outro.”
“Não
há obrigação em um sujeito sem que haja um poder em outro sujeito.”
“...
a norma fundamental é um pressuposto do ordenamento: ela, num sistema
normativo, exerce a mesma função que os postulados num sistema cientifico.”
“Os
detentores do poder são aqueles que têm a força necessária para fazer respeitar
as normas que deles emanam.”
“O
Direito, como ele é, é expressão dos mais fortes, não dos mais justos. Tanto
melhor, então, se os mais fortes forem também os mais justos.”
“O
objetivo de todo legislador não é organizar a força, mas organizar a sociedade
mediante a força.”
Lei
favorável é aquela que concede beneficio (ou faculdade ou direito subjetivo); e
lei odiosa é aquela que impõe uma obrigação (sob pena de sanção).
Nesse
sentido, “se eu interpreto uma norma de maneira mais favorável para o devedor,
minha interpretação é odiosa em relação ao credor.”
“É
estrito dever do intérprete, antes de chegar à interpretação ab-rogante, tentar
qualquer saída para que a norma jurídica tenha um sentido.”
‘Enquanto
na antinomia é um caso no qual há mais normas do que deveria haver; o caso de
lacuna, no entanto, é um caso em que há menos normas do que deveria haver.”
“Muitas
normas , tanto dos Códigos como da Constituição, são normas generalíssimas, e
portanto, são verdadeiros e autênticos princípios gerais expressos.”
“...
o Direito natural único, comum a todos os povos, se contrapõe tantos Direitos
quantos são os povos ou as nações.”
“...
o ordenamento jurídico de um Estado não é um bloco compacto: assim como o
geólogo pesquisa os vários estratos da terra, assim também o teórico do Direito
deverá colocar-se frente a um ordenamento jurídico na atitude do historiador
que nele busca as várias fases de formação.”
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
13) O TEATRO POLÍTICO
Livro escrito pelo jornalista Elcias Lustosa que trabalhou na
Câmara dos Deputados em Brasília como redator das atividades parlamentares.
Cearense, nascido em 1947, Lustosa é um dos mais brilhantes jornalistas da sua
geração.
Apoiado em extenso currículo como jornalista e como professor
universitário, reuniu de modo feliz dois tipos de conhecimento que andam em
geral separados: o do acadêmico e do prático da vivencia política no dia a dia
na excelsa casa de Leis do Brasil.
Como muito bem destacado no prefácio do livro por Francisco
C. Welffort, trata-se de um livro útil tanto para os políticos como para
profissionais da imprensa que cobrem o assunto e também para marqueteiros e militantes
partidários.
O TEATRO POLÍTICO mostra como funciona a engrenagem que busca
“vender” o político que a própria mídia transforma em atores, apresentando ao
público uma imagem que corresponda a suas expectativas e motivações.
Desvendando as relações entre a mídia e a política, Lustosa
mostra todas as etapas do “espetáculo”, tais como: o cenário; o ensaio geral; o
picadeiro; o espetáculo e o último ato.
Ao mesmo tempo que apresenta sugestões e observações
extremamente válidas para os envolvidos nessa arte de “montar e protagonizar o espetáculo”, o livro
evidencia os artifícios usados, a distância entre imagem e a realidade e entre
os sonhos do político e suas possibilidades de realização.
Muita embora transpareça num primeiro momento (quando compara
a atividade política ao teatro), não pretende dar o tom do mero fingimento
teatral mas dos paradigmas que os atores “políticos”são obrigados a se adequar,
sob pena de serem desprezados pelos meios de comunicação.
Ao fazer referencia ao primeiro capítulo que o autor denomina
Cenário, ele divide seis tópicos: “O resumo da ópera”; “O ator”; “A platéia”; “O
palco”; “A produção”; “O dramaturgo”.
Destaco aqui algumas assertivas descritas pelo autor nesse
capítulo:
“Política é paixão e emoção”
“A militância é mãe de todos os votos”
“O importante não é o fato mas a versão”
“O político/candidato deve ser o melhor vendedor de si mesmo”
“A vontade (sonhos) é ineficaz sem o poder”
“É dever de quem se expõe saber que todas as suas
declarações, discursos ou atos vão ser usados contra ele.”
“Para a mídia, a boa notícia é justamente a má notícia.“
“Os normais, medianos e regulares dificilmente serão notícia.”
“Só se pode vender o que se tem.”
“Só se vende o que se tem. Não se cria em cima do nada.”
“O ator (político) precisa do veículo de comunicação, assim
como o veículo de comunicação precisa dele.”
“Noticia é a informação transformada em mercadoria.”
Sustenta o autor que o que se coloca em primeiro lugar para
os meios de comunicação é sua garantia existencial como empresa, restando a
questão ideológica para segundo plano. Que a triologia mais usual nos discursos
ideológicos são: Deus, Pátria e Família.
O eleito, por sua autoridade constituída, desempenhará o
papel de astro em cena.
A mídia elege os atores da cena política que sempre
desempenharão o papel de “mocinhos” e aqueles que desempenharão o papel de
“bandidos”, enquanto o resto é figurante ou “baixo clero”. Dessa forma, cada
vez mais prevalece a embalagem em detrimento do conteúdo.
Ao retratar a padronização jornalística da grande imprensa,
afirma que o jornalista está mais próximo de um empacotador de supermercados,
ao trabalhar um texto, do que um criador intelectual.
O segundo capítulo que o Autor denomina “O ensaio geral”,
destaca “a performance”’; “a coreografia”; “o jogo de cena”; “os astros”; “os
personagens”; “a encenação” e “a montagem”.
Ao abordar a clássica teoria da informação (emissor – meio –
receptor), o autor lembra que na comunicação política a mensagem ultrapassa o
limite da persuasão e busca a comoção.. “Comover para mover” adverte, uma vez
que o ato de votar implica encontrar um documento perdido numa gaveta qualquer,
sair de casa num dia de ócio, comparecer a uma seção eleitoral, enfrentar uma
fila, identificar-se para pessoas normalmente de mau humor e finalmente,
sufragar um nome escolhido por suas grandes virtudes ou mesmo um salvador do
mundo. Nesse aspecto, reforça: “os militantes são fundamentais no processo
político”.
Nesse sentido, apregoa, o ator político deverá percorrer uma
“via crucis” de cinco estágios:
1) VISUALIZAÇÃO: significa aparecer na grande mídia, mesmo
como “papagaio de pirata”;
2) REVELAÇÃO: Faz do ofício um instrumento que o revela ao
grande público. O exemplo dado pelo autor foi o Deputado Heráclito Fortes que se destacou por ter sido assessor de
confiança de Ulysses Guimarães.
3) ATUAÇÃO: inserção ao espetáculo da mídia por exercer papel
reconhecido e estar sempre presente aos acontecimentos que são objetos de
interesse. Um exemplo clássico na década de 80 foram os piqueteiros
profissionais de greves que freqüentavam TODAS as greves, independentemente de
qual categoria fosse. Esses personagens eram sempre requisitados para dar
entrevistas.
4) INTERVENÇÃO: Atores políticos que alteram o rumo dos
acontecimentos num mero discurso ou
opinião.
5) SOLIDARIEDADE ATIVA
E MILITÂNCIA: Objetiva o movimento coletivo que se desloca para manter um
contato pessoal, ouvir um discurso na praça, ficar atento ao rádio ou TV para
ouvir e assistir uma entrevista e até sair de casa para ver um comício ou
reunião. Tudo objetivando a movimentação final que é o sufrágio na urna no dia
da eleição.
Para cumprir essa “via crucis” o ator político tem que deixar
claro no subconsciente popular a seguinte certeza: “conheço o seu problema, sei
como resolvê-lo e tenho os meios para
solucioná-lo”. Traduzindo: “EU SOU A SOLUÇÃO”.
Dentre as dificuldades apresentadas para “fazer o jogo de
cena” o Autor destaca a tarefa de o ator dizer o que o jornalista quer ouvir,
de forma a realizar as cinco perguntas fundamentais:
1) O QUE DIZER?: Lembrando que o
importante é a versão e não o fato;
2) COMO DIZER?: Utilização da
iconografia, ou seja, expressividade estatística e elementos capazes de causar
comoção;
3) QUANDO DIZER?: Senso de oportunidade
aguçado;
4) A QUEM DIZER?: Reconhecimento em um nicho específico.
Exemplo: Um delegado eleito pela sua atuação profissional;
5) POR QUE DIZER?: Em consonância com as
expectativas dos segmentos sociais que o ator representa. É comum alguns
parlamentares destacarem-se em debates que não estão em pauta de discussão na
sua base, como a caso de “royalties” do petróleo.
No terceiro capítulo que o autor faz referência ao picadeiro,
ele faz comentários sobre a estréia do político na vida pública, o chamado
“mise-en-scène”, do enredo, do ambiente, da fala, da marcação e da atuação.
O estreante ao chegar em Brasília, se vê num turbilhão de
novidades e frustrações que acaba se questionando: onde estou? Quem sou? Para
onde vou? e Que será de mim?
Que a “mise-en-scène” deve ser analisada sob a ótica de
identificação de cinco importantes espaços, tendo como base o Congresso
Nacional, sendo eles: 1) o Gabinete; 2)
a Assessoria; 3) as Comissões Técnicas; 4) o Plenário; 5) o Salão Verde.
O Gabinete que tem (ou deveria ter) uma função de escritório
administrativo, passa a ser uma grande dor de cabeça ao parlamentar devido ao
grande número de pedintes solicitando todo tipo de ajuda, além de um batalhão
de lobistas e grupos de pressão que perambulam diariamente pelos corredores do
Congresso.
A Assessoria Legislativa é a coluna vertebral dos
parlamentares, haja vista ser responsável em elaborar o “texto da ópera”.
Somente por meio dela será possível o ator elaborar projetos de lei, pareceres,
discursos e estudos.
Já as Comissões são analisadas quanto ao mérito e quanto ao
tema. O mérito é analisado na Comissão
de Constituição e Justiça e nas demais comissões que apreciam as propostas
segundo a perspectiva temática e técnica. É o caso de projetos que tratam ao
assunto da saúde, da educação, da segurança pública, de agricultura, cada qual
discutida na Comissão inerente ao tema proposto.
No que diz respeito ao Plenário é onde ocorre o desfecho das
grandes questões submetidas à apreciação do Poder Legislativo. Representa a
arena onde se dá efetivamente o grande embate das idéias e do poder.
Já o Salão Verde tem uma relevância simbólica, equiparado ao
hall denominado lobby na Câmara dos Comuns na Inglaterra, onde os deputados
britânicos recebem e atendem os representantes de vários grupos de pressão que
se dirigem àquela casa. O Salão Verde tem justamente essa finalidade, muito
embora no Brasil satanizaram essa denominação “lobby”.
Segundo o autor, ao tratar do enredo, assevera corretamente
no que diz respeito à atividade parlamentar na medida que os deputados examinam
os projetos a partir de suas convicções, de sua perspectiva ideológica, das
indicações doutrinárias dos seus partidos, da avaliação de suas bases
políticas, dos encontros com grupos de pressão e, até mesmo de manifestações
familiares, para exercer o voto final no plenário.
Sobre o ambiência o autor destaca o processo cultural de cada
parlamentar, devendo este, na construção de seu discurso saber o que pode ou
deve falar, para quem e como, devendo estar atendo às mudanças em saber o que
muda e como muda, destacando que “o Estado enquanto instituição política,
organização e estruturação de um povo como sociedade, é incompleto e está
sempre ajustando, adaptando e se recriando.”
É nesse cenário de imensas dúvidas, com grandes incertezas e
confrontando com o desconhecido que interage o ator político, exigindo
cotidianamente a indicar caminhos ou refletir sobre tal realidade complexa
pelos que nele confiam e seguem. Nesse sentido, lembra o autor, que os
eleitores não escolhem derrotados, ausentes, incapazes e fracos para
defendê-los.
Lembra que o Estado eficiente, o Estado mínimo, o Estado
suficiente, o Estado adequado deve ser construído pela sociedade como um todo
por meio do voto e da manifestação dos
que legitimamente a representam, e que dentro desse contexto, lembra que
nenhum projeto de lei apresentado no legislativo, depois de ultrapassar
todos os filtros e idiossincrasias de
vários estamentos, tem como texto final efetivamente o que imaginou àquele que
desencadeou o processo. Tal fenômeno implica em relativizar as certezas levando
a diminuição do fanatismo.
Toda essa atuação do parlamentar são verificadas no “pequeno
expediente”, no “grande expediente”, na “comunicação de liderança”, na
“comunicação parlamentar”, na “questão de ordem” e na discussão da “ordem do
dia”, todos previstos no Regimento Interno da Câmara dos Deputados.
O Pequeno Expediente tem duração de 5 minutos e
normalmente se discutem as questões paroquiais, onde são abordados os problemas
específicos dos segmentos sociais. Não é permitido aparte.
O Grande Expediente tem duração de 25 minutos e são
permitidos apartes por qualquer parlamentar. A escolha é feita pela Secretaria
Geral da Mesa através de sorteio entre deputados previamente inscritos, não
podendo concorrer em mês subseqüente quem foi sorteado.
Como o próprio nome diz, a Comunicação de Liderança é
a prerrogativa dos líderes dos partidos políticos com assento na casa,
normalmente utilizada com finalidade doutrinária ou ideológica. É permitido
apartes
No que diz respeito à Comunicação Parlamentar, somente
são permitidas se após esgotados o pequeno e grande expediente e oportunizado
Comunicação de Lideranças, sobre tempo. O tempo é de 10 minutos e é permitido
apartes.
Em qualquer momento da sessão, um parlamentar pode
interromper os trabalhos para levantar Questão de Ordem, relacionadas
com o não cumprimento das normas regimentais.
A Ordem do Dia constitui-se das matérias em pauta para
votação durante a sessão, sendo ela iniciada com a leitura da proposição a ser
votada, seguindo-se de prazo para discussão da matéria, o que pode ser feito
por qualquer parlamentar mediante prévia inscrição.
O processo legislativo é uma demonstração diuturna da arte em
reunir os contrários, devendo as condutas
e relações pessoais dos atores serem cordiais uns com os outros por
imposição regimental.
No quarto capítulo o autor faz referencia ao Espetáculo, nesse sentido ele trata “da
iluminação”; “do figurino”; do script”; “do virtual”; “do libreto”; “da voz” e
“do corpo-a-corpo”.
O êxito político está diretamente vinculado à
capacidade de saber criar caso, impor idéias e exigir espaço. Quem conta a
história é quem ganha a guerra. O ator político apropria-se do espaço da mídia quando se apropria do poder.
Mais do que um papel no cenário político, o homem é sua circunstância, e dela
vai apropriar-se de forma a construir bem o seu personagem para tornar-se um
astro, valorizando todas as suas entradas em cena nos espetáculos noticiosos.
O ator político vive para o picadeiro e, sem ele, seu
potencial de continuar a ter papel relevante é mínimo, senão remoto. A mídia,
na sua lógica do mercado, não está interessada em patrocinar atores, mas em se
apropriar de astros que consigam produzir audiência.
A produção do texto informativo sobre ações do ator político
deve primar pela simplicidade e clareza, com o mínimo de conceitos técnicos ou
acadêmicos. Mãe é mãe e não genitora já dizia o jornalista Carlos Lacerda.
O texto ou “script” deve sempre pautar em responder as cinco
perguntas: O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? Os textos devem ser compostos
por orações em ordem direta com sujeito
e predicado, evitando-se possíveis erros de concordância, mais comuns em frases
construídas na ordem indireta.
Cabe lembrar que os redatores não dispõem de muito tempo para
se dedicar aos inúmeros “releases”
que chegam a sua mesa de trabalho, daí a conveniência da elaboração de textos
curtos.
A televisão constitui-se, por sua abrangência, como o veículo
que dá maior visibilidade ao ator inserido no espetáculo político,
especialmente por ser o meio mais importante em termos de ocupação do cidadão, seja como instrumento de lazer,
quanto de informação. O meio televisivo elege os atores para os espetáculos
noticiosos em função do seu potencial ou da sua capacidade de interferir no
interesse coletivo.
O processo de inserção do ator no cenário televisivo
constitui-se na mais difícil missão do político, pois, por mais criativo que
seja, disputará um afunilado espaço com outros 593 atores (no caso do Congresso
Nacional).
A modernização tecnológica, que determinou uma extrema
velocidade nas comunicações, provocou mudança no formato dos veículos de
comunicação escrita, os chamados “libreto”.
Ao contrário do que ocorre com os telespectadores da
televisão e ouvintes do rádio, o leitor do jornal folheia as suas páginas com o
propósito de encontrar notícias mais abrangentes e com riqueza de
detalhes. Uma evidencia disso é o fato
de que as tiragens dos jornais aumentam substancialmente no dia seguinte a uma
grande tragédia ou acontecimentos divulgados pela televisão e rádio no dia
anterior.
O autor destaca ainda que nunca um parlamentar destacado para
uma entrevista demonstra desconhecimento da questão abordada. Isto porque é
previamente selecionado pela mídia. “ O ator político, diante de tal
constatação, somente vai obter inserção nos noticiários caso construa uma
notoriedade de saber sobre matérias do interesse público.” Haja vista que o
veículo escrito é mais exigente que o rádio e a TV.
No que diz respeito às emissoras de rádio, o autor destaca
sua mobilidade pelo fato de acompanhar o deslocamento físico do ouvinte, seja
nas suas caminhadas, dirigindo o carro, dentro do domicilio, possibilitando
importante audiência, somado ao fato a
linguagem do rádio ser construída de forma a permitir a transmissão de
conteúdos sem que o ouvinte tenha que se abstrair de outras atividades.
Segundo o autor: “uma
evidência da importância do rádio para o ator político é o fato de que grande
número de parlamentares controlam emissoras em suas bases políticas e realizam
diariamente programas informativos...”
A melhor demonstração
de que os atores políticos dão a devida importância à força do rádio é a
disputa interna para inserir um pronunciamento seu na vetusta “Voz do Brasil”.
O último tópico dedicado ao capítulo denominado “o
espetáculo” é o trabalho do conhecido “corpo-a-corpo” em que o parlamentar
busca dar visibilidade na sua base eleitoral das chamada “questões paroquiais”através
de jornais informativos, mala direta, “releases”
aos meios de comunicação, prefeituras, vereadores, lideranças sindicais e todos
aqueles que exercem papéis representativos, incluindo ai ex-prefeitos,
ex-vereadores, etc.
O último capítulo o autor denomina “Último Ato”, o qual
comenta sobre “o marketing”, sobre “a travessia”, a “segmentação” e “o desfecho
da trama”.
Para a mídia, a boa notícia é a má noticia, assim, o avião
que sobe e desce, o empresário honesto, o político de boa conduta e postura
ética, enfim, o normal, o correto, o justo, não são notícia.
Considerando que no consciente coletivo a política é
instrumento do mal, cenário onde ocorrem corrupção, negociata e principalmente
malandragem, cabe ao ator político, através de bem elaborado marketing, mostrar
que não é político, visando justamente ter sucesso político.
O ator cita o exemplo de Fernando Collor em 1989 que firmou
imagem e discursos contra os políticos e a política, muito embora sendo neto,
filho e ele próprio político, tendo exercido à época cargos de prefeito,
governador e deputado.
Aqui cabe lembrar Fernando Pessoa quando afirma que: “o poeta
é um fingidor... Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que
deveras sente.”
O autor substitui a frase do renomado poeta da seguinte
forma: “O político é um fingidor e finge tão completamente, que finge que não é
político, para continuar a ser político”.
Cabe aqui uma aspas sobre o chamado processo representativo,
em que votamos em nossos representantes para
que justamente nos represente. Por mais imperfeições que esse sistema
apresente, ele passa a ser um instrumento interessante graças e esse contexto
sobre o fingimento acima descrito.
Como o ator político deseja e necessita do voto de
determinado segmento, ele passa a vida fingindo ser o mais interessado pelas
ambições daquele segmento, de forma que na prática, o que era para ser mero
fingimento, vira comportamento verdadeiro, haja vista, ser praticado o tempo
todo.
Citemos o exemplo do parlamentar que guarda sentimentos
racistas, porém, por sua atuação recebe muitos votos de determinada comunidade
negra, que cada vez mais o obriga a entrar na luta daquele segmento. Com o tempo,
aqueles pronunciamentos e atitudes que exteriorizavam de forma fingida, passa a
ser de caráter verdadeiro.
Tivesse essa mesma comunidade que depender do voto popular de
forma direta, numa cidade, na praça pública constituída de pessoas predominantemente racistas, teriam seus pleitos sistematicamente rejeitados já
que o fingimento não estaria em voga.
O ator político navega no imaginário coletivo criando um
papel para seu personagem, no cenário da mídia, capaz de fabricar, convencer e
mesmo engajar o cidadão em utopias (muitas das quais nunca poderão ser
realizadas), permitindo dessa forma a travessia do anonimato para a
visibilidade.
Apesar disso não se pode afirmar que o ator político seja desonesto. O
convencimento da coletividade ocorre porque ele também acredita em seus sonhos
de realizar as utopias que disseminou
para gerar a comoção coletiva. Os sonhos que vende, são na verdade seus
próprios sonhos. O autor cita como exemplos atores da importância de Jesus Cristo,
Napoleão Bonaparte e Hitler, entre muitos outros.
Não cabe aqui discutir suas utopias, mas apenas registrar a
evidência de que foram capazes de mover multidões pela certeza de que seus
sonhos eram possíveis.
A média dos atores não produzem fenômenos de convencimento de
massa como os acima citados, porém, constroem a certeza para os eleitores de serem
capazes de tornar o mundo melhor, mesmo que esse mundo não seja a Nação ou o Estado,
mas apenas uma cidade, um bairro ou uma corporação, ou seja, cria a expectativa
de realizar e de tornar possível a superação das questões menores no cotidiano
de cada cidadão.
O eleitor vive na cidade, no bairro e portanto, as chamadas questões
paroquiais (especialmente as relacionadas com saúde, educação, segurança e saneamento
básico), são sempre mais importantes que as grandes questões de Estado.
Destaca-se a dificuldade do ator estabelecer com precisão o
papel de seu personagem no teatro político, haja vista que sua atuação e seu discurso devem corresponder tanto ao
cenário da mídia e também da sua base eleitoral, visando o exercício da
representação popular.
Conclui a obra dizendo que o sucesso do ator político está
relacionado com a capacidade de provocar comoção coletiva, a exemplo do que
ocorre com os atores cênicos, tendo de construir um personagem no imaginário coletivo,
idêntico aos grandes artistas de outros espetáculos da mídia, muito embora o
objeto de seu discurso seja bastante diverso.
O LIVRO NÃO
ESTÁ À VENDA
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
12) TER ou SER
Trata-se de um livro social-filosófico escrito por ERICH FROMM
cuja abordagem já foi suscitada por diversos pensadores e teóricos como Aristóteles;
Sócrates; Arístipo (filósofo grego que apregoava o hedonismo radical); Jesus
Cristo; Galileu; Epicuro; Spinoza; Freud; Hobbes; Marques de Sade; Buda; Tomaz
de Aquino; Max; Hunzinger; Mesarovic;
Pestel; Marx; Engels; Darwin; Einstein; Albert Schweitzer; Etc. ERICH FROMM faleceu em 1980.
O
LIVRO NÃO ESTÁ À VENDA (salvo se a proposta for irresistível)
O livro aborda temas
complexos, dentre eles o de elevar a raça humana para além do medo e em conseqüência,
contrapor a grande promessa do TER descrita num tripé de Produção ilimitada;
Liberdade absoluta; Felicidade Irrestrita.
Uma realidade, por
exemplo, abordada por Arthur Koestler é o fato das pessoas preferirem a
catástrofe futura ao sacrifício que teriam que fazer agora.
Quando ERICH FROMM expôs sobre a importância da Diferença entre TER
e SER, sobrevoou sobre a experiência cotidiana, no Velho e no Novo Testamento. Fixa ainda os escritos de Eckhart (1260-1327)
o qual o Autor se refere como “Mestre”
Eckhart defendia que a
liberdade plena é esvaziar-se a tal ponto de desapegar-se do próprio
conhecimento, “livre de ansiar por agarrar-se a coisas e ao próprio eu”.
Nas palavras de Blakney o
autor diz: “..homem ativo, vivo é como um
vaso que aumenta à medida que se enche e que nunca está cheio”
Critica veementemente o
conceito de TER, alegando transitoriedade do objeto. Diz o Autor: “Falar da posse de alguma coisa
permanentemente é confiar na ilusão de uma substância permanente e
indestrutível.” Nisso ele inclui o próprio homem.
Alega ainda que todos os
padrões sociais de nossos dias foram moldados sob a essência do TER, com
processo de doutrinação, recompensas e punições. Quanto à sexualidade diz que o desejo sexual
é uma expressão de independência e sua condenação faz as pessoas sentirem-se
culpadas e em conseqüência submissas. Esse fenômeno faz com que fiquemos
“socialmente adaptados” fazendo que nossas motivações, idéias e crenças passem
ser falsas e tendenciosas insensatas e preconceituosas.
Sob esse contexto, o
processo de pensar cria fenômenos de resistência quando a dolorosa verdade
ameaça vir à superfície, fazendo que grande parte de nossa energia passe a
ocultar de nós mesmos o que sabemos.
Resume assim:
“...o ato sexual não é necessariamente um gozo compartilhado; os parceiros
são frequentemente tão narcisistas, egoístas e possessivos que se pode falar
apenas de prazer simultâneo, mas não de gozo compartilhado.”
No modo TER diz o autor “a felicidade consiste na superioridade sobre
os outros”. No modo SER é “amar,
participar, dar”
Traça a personalidade do
sovina que coloca toda sua energia no sentido de adquirir, poupar e acumular
dinheiro e coisas e em geral. Esse tipo de comportamento está associado a
outros traços como meticulosidade, pontualidade e inflexibilidade. No que tange
a avidez alega que a pessoa ávida jamais tem o bastante para satisfazê-lo. Isso
serve, segundo o Autor, para o avarento, o ambicioso e o mulherengo.
Ao tratar do ascetismo e
da igualdade, escreve que aqueles que se preocupam com a igualdade, no sentido
que a parcela de cada um seja exatamente igual a do outro, demonstram que sua
tendência a TER é mais forte, uma vez que, por trás dessa preocupação a real
motivação é a inveja. “Quem exige que
ninguém tenha mais que ele próprio, está desse modo se protegendo da inveja que
sentiria se outro tivesse mesmo um mínimo a mais.”
Alega que as pessoas são
basicamente preguiçosas, passivas por natureza e que não trabalham com prazer -
muito pelo contrário - são movidos pelo medo da fome ou do castigo.
Ao abordar sobre a vontade
de dar, participar e sacrificar-se, o Autor sugere que o objetivo de ajudar e
sacrificar-se é meramente fingido por muitos. Um exemplo clássico são os grupos
revolucionários que esperam salvar o mundo mediante atos de terror e
destruição, não percebendo que estão apenas contribuindo para a tendência geral
de violência e desumanidade.
Resume que o
auto-sacrifício é frequentemente a solução para indivíduos que ardentemente
desejam amar, mas que perderam esse dom e vêm no sacrifício de suas vidas uma
compensação. Que os seres humanos
receiam mais ser marginalizados que morrer.
Que todo passo novo traz
em si o risco ao fracasso e esta é uma das razões pelas quais tanto se teme a
liberdade.
O Autor ambiciona um novo
homem e uma nova sociedade
O primeiro grande trabalho
hercúleo está em enfrentar o modelo dominante da religião, cuja atribuição é
mais de manter a disciplina das massas do que salvar suas almas. Que
normalmente o sistema religioso não corresponde ao caráter social vigente e
entra em conflito com a prática da vida social, tornando-se mera ideologia.
Segundo o Autor “isso pode explicar por que tantos farsantes
podem ser bem sucedidos nos domínios espirituais e religiosos.”
Em seguida questiona o
caráter mercantil da sociedade, impondo que “o mercado deseja que eu seja”. Fala do “caráter mercantil” como “caráter
alienado” ou “caráter esquizóide”
Finaliza o livro impondo
inúmeras regras a serem seguidas a fim de alcançar a tão sonhada sociedade
ideal.
Exemplos: Como solucionar
o problema da produção de escala e descentralização do mercado? Acabar com a
meta de crescimento ilimitado sem o perigo do colapso econômico e ambiental?
Fazer que o trabalho não se paute na compensação monetária mas psíquicas e
afetivas? Estimular o progresso científico sem por em perigo a espécie humana?
Como proporcionar segurança aos indivíduos sem torná-los dependentes?
As respostas sugeridas
pelo Autor são tão difíceis como as perguntas.
Fala em proibição de
métodos de lavagem cerebral na publicidade industrial e política. Que deve ser
desfeita a distância entre nações ricas e pobres. Sugere uma renda anual para
os desafortunados, sob o argumento de que todos os seres humanos têm direito
incondicional de alimentar-se e
abrigar-se. Diz o Autor “É um direito que
garantimos aos nossos animais de estimação, mas não reconhecemos aos nossos
semelhantes”. Sustenta que tal medida garantiria verdadeira liberdade e
independência.
(O ATUAL PROGRAMA DE BOLSA
FAMÍLIA INSTITUÍDO NO BRASIL, COLOCA EM XEQUE ESSA ASSERTIVA DE LIBERDADE E
INDEPENDÊNCIA)
Prega ainda para alcançar
a sonhada sociedade ideal, seja também garantido às mulheres a liberação do
domínio patriarcal. Idealiza um tal Supremo Conselho Cultural encarregado de
aconselhar o governo, os políticos e os cidadãos em todas as questões em que o
conhecimento seja necessário. Nesse tópico o
Autor viaja numa atmosfera utópica comum nesse tipo de proposta,
chegando a sugerir uma fórmula mágica na
constituição de tal conselho, que segundo ele, representado pela “nata intelectual e artísticas do país” e
sugere “homens e mulheres cuja
integridade esteja fora de dúvida”. (COMO SE ISSO FOSSE POSSÍVEL)
Reporta sobre um sistema
eficaz de divulgação de informação fazendo referencia a realidade da informação
de massa da década de 1970 pondo a grande mídia como vilã do status quo.
Defende que a pesquisa
científica deve ser separada da aplicação na indústria e na defesa.
Após traçar essas idéias prá
lá de teóricas, afirma que “embora todas
as sugestões feitas nas páginas precedentes sejam difíceis de se concretizar,
essas dificuldades se tornarão quase insuperáveis com o acréscimo de outra
condição necessária para a nova sociedade: o desarmamento atômico.” (REGISTRA-SE
QUE ESSA VISÃO ERA TÍPICA DA DÉCADA DE 70 NO AUGE DA GUERRA FRIA)
Conclui o livro
questionando num último tópico se “A Nova
Sociedade: Haverá uma Probabilidade Razoável?”
Para tentar responder essa
pergunta traça argumentações dramáticas, se apoiando a termos apocalípticos
como salvação quando afirma que “a vida
nem é um jogo de azar nem um negócio financeiro, e devemos procurar outros
ângulos para uma apreciação das reais possibilidades de salvação.”
Imprime uma visão
romântica sobre o Oriente quando afirma: “em
bases puramente econômicas tornam-se necessárias uma nova ética, uma nova
atitude para com a natureza, solidariedade humana e cooperação se o mundo
ocidental não quiser ser apagado.” (PROVAVELMENTE QUANDO O AUTOR ESCREVEU
ESSA OBRA, NEM SONHAVA NA CHINA ATUAL, PASSANDO POR CIMA DE TODOS OS CONCEITOS
SOCIALISTAS/COMUNISTAS E APLICANDO O CAPITALISMO PRIMITIVO DE FORMA RADICAL)
Conclui
em defender o crescimento dos partidos sociais democratas que devem conquistar
os votos da classe média mundial (FATO JÁ CONSUMADO NAS DEMOCRACIAS VIGENTES 40
ANOS APÓS A PUBLICAÇÃO DO LIVRO), defendendo como síntese a criação da Cidade
do Ser no lugar da Cidade Terrena do Progresso que foi antítese da antiga
Cidade de Deus nos períodos medievais.
COMENTÁRIOS
Trata-se de uma obra rica
de conhecimento filosófico, trazendo citações e até tratados e romances que
marcam de séculos e até milênios. Com mais de 100 referências bibliográficas
demonstra o cabedal de conhecimento de ERICH FROMM que além desta obra editada
em 1976 já havia escrito mais de 20 (vinte) obras, dentre elas:
(Análise do Homem); (Anatomia
da Destrutividade Humana); (Caráter
Social de uma Aldeia); (Conceito Marxista do Homem); (O Coração do Homem); (A
Crise da Psicanálise); (O Dogma de Cristo); (O Espírito de Liberdade); (Grandeza
e Limitações do Pensamento de Freud); (A Linguagem Esquecida); (O Medo à
Liberdade); (Meu Encontro com Marx e Freud); (A Missão de Freud); (Psicanálise
da Sociedade Contemporânea); (A Revolução da Esperança); (A Sobrevivência da
Humanidade); (A Arte de Amar); (Vós Sereis como Deuses); (O Homem por Si Mesmo);
(Sexo e Caráter); (Psicanálise e Religião); (Humanismo Socialista e A Sociedade
Sã).
Logo no prefácio o Autor faz
menção a dois livros dos acima citados: “Psicanálise da Sociedade Contemporânea”
e “A Revolução da Esperança”. A primeira
obra, escrita em 1955, segundo o Autor trata de uma dramática evidência de que
nas democracias do século XX, a vida constitui, em muitos aspectos, em uma fuga
à liberdade. Reporta ao mesmo livro nas páginas 178 e 184 ao sugerir a
democracia participativa com criação de milhares de grupos instituído em média
por 500 pessoas cada, com organismos de deliberação e decisão e para abordar o
tema da renda anual garantida conforme já descrito acima.
Já no livro “A Revolução
da Esperança” o Autor foca sobre uma tal tecnologia que sirva toda a humanidade, e não apenas
para aumentar a riqueza e o poder de nações já ricas e poderosas. Faz
referencia deste livro ainda na página 163 quando traça medidas radicais
sugeridas num trabalho de dois autores norte americanos que serão abordados
mais a frente.
Na página 61 do livro o
Autor faz referencia ao termo “cair de amor” quando se refere o amar no sentido
TER, fomentando uma contradição a uma atividade criativa que só pode ser
admitida no modo SER (estar amando), sob contexto abstrato e não concreto. Ao
abordar esse tema, o Autor faz referencia a outra obra sua bastante conhecida: “A
Arte de Amar”, publicada no Brasil pela Zahar Editores.
Na página seguinte (62) o
Autor faz referência a outra obra: “Anatomia da Destrutividade Humana” cuja
abordagem é uma exegese radical das obscuras forças que levam o ser humano a
assumir a condição demoníaca de animal. É que ao concluir seu esboço sobre o
AMOR o autor faz referência aos defensores de casamento grupal, troca de
cônjuges, sexo grupal, como pessoas com dificuldades em amar pela vontade de
TER mais “amantes” do que amar uma só pessoa. Ao recomendar a leitura do livro
“Anatomia da Destrutividade Humana”, o Autor faz referência sobre análise e
distinção entre estímulos “ativadores” e “passivadores” descritos no Capitulo
10 daquela Obra.
No mesmo diapasão, na página
84 ao se referir novamente aos estímulos acima nominados, ele explica: “Quanto mais um estímulo for apassivante,
mais frequentemente deverá ser mudada a intensidade e/ou a espécie; quanto mais
ativante for, por mais tempo reterá sua qualidade estimulante e menos necessária sua mudança de intensidade
e conteúdo.”
Ao citar uma experiência
publicada por D. O. Hebb às páginas 107 e 108, o Autor volta a citar essa sua
Obra, haja vista ter abordado também tais objetos de estudo.
O citado estudo de Hebb
abordou dados sobre a conduta animal dando conta que muitas espécies
desempenham tarefas penosas com prazer, mesmo sem recompensas materiais. Que
existem atividade inerente às células nervosas. Quanto à necessidade de
crianças pequenas reagirem a complicados estímulos, denominando isso como
“Conduta infantil”. No que tange ao aprendizado, Hebb conclui que muitos
estudos demonstram que a criança e o adolescente são indolentes porque o
material de aprendizado lhes é apresentado de modo árido e inerte, incapaz de suscitar
verdadeiro interesse. Afastada a pressão e a monotonia, e apresentando-se o
material de modo vivo, mobilizam-se notável atividade e iniciativa. Fenômeno
parecido quando abordado a conduta no trabalho, dando conta que os
trabalhadores de desinteressados passam a mostrar notável grau de criatividade,
atividade, imaginação e satisfação.
Ao tratar da sonhada
sociedade ideal, fala da liberação das mulheres do domínio patriarcal, como já
dito alhures. Essa problemática está descrita na página 186 e o Autor faz
novamente registro sobre o livro “Anatomia da Destrutividade Humana”, dando
conta que estudou nesta obra o primitivo “matriarcado”.
Nas páginas 66 e 106 o
Autor faz referência ao livro “A Linguagem Esquecida”, uma introdução ao
entendimento da linguagem simbólica, sonhos, contos de fada e mitos. Referiu-se
a essa obra ao abordar o ritual do Sábado na cultura judaica durante a Era
Messiânica. Num outro momento citou a Obra ao referir-se ao sonho.
Neste mesmo conceito foi
citado também na página 66 o livro “Vós Sereis como Deuses”. Nesta mesma obra o Autor faz profunda análise
sobre os cinqüenta Salmos no Velho Testamento, tidos como um verdadeiro “hino
de alegria”, além de traçar conceitos sobre pecado e arrependimento, conforme
observações nas páginas 122 e 128.
Na página 68 faz
referência ao livro “O Dogma de Cristo” ao referir-se aos primitivos cristãos
que eram pobres e desprezados socialmente.
O referido livro aborda problemas religiosos, psicológicos e culturais
vistos sob o ângulo psicanalítico e socioeconômico.
Na página 95 faz citação
sobre o conflito entre o TER e o SER observado sob o foco existencial e
caracteriológico, observando que faz análise mais profunda no livro “O Homem
por Si Mesmo”
Nas páginas 99, 114 e 135
é citado o livro “O Medo à Liberdade” Na
página 99 ao abordar a atividade
não-alienada, a qual o Autor denomina também de atividade produtiva e atividade
espontânea. Ao tratar da segurança e
insegurança na página 114 o Autor também cita a obra ao abordar o tempo à liberdade quando estamos
diante ao novo e do eminente risco de fracasso.
Ao tratar da Religião, do Caráter e da Sociedade na página 135 o Autor
faz referência ao caráter social acarreta mudança social, sendo que os impulsos
religiosos contribuem com a energia necessária para motivar homens e mulheres,
haja vista “uma nova sociedade só pode
ser ensejada se profunda transformação ocorrer no coração humano”, ou seja,
“se um novo objeto de devoção tomar o
lugar do atualmente existente.” Este livro foi escrito em 1941 e fala da estrutura do
caráter do homem contemporâneo em seu aspecto decisivo para a crise do dia a
dia. Fala ainda do significado da Liberdade. Em 1950 o Autor escreveu o
livro “Psicanálise e Religião” e também
abordou o tema da transformação do homem.
Em 1943 o Autor fez um
ensaio intitulado “Sexo e Caráter”. Fez
menção a esse ensaio na página 120 ao abordar o comportamento masculino diante
o pênis. Palavras do Autor: “A ereção do
pênis é totalmente funcional. O macho não tem ereção como uma propriedade ou
qualidade permanente. O pênis é um estado de ereção, enquanto o homem está
excitado, na medida em que deseje a pessoa que suscitou sua excitação. Se por
alguma razão algo interfere nesta excitação, o homem nada tem. É um contraste
com praticamente todas as demais espécies de comportamento, a ereção não pode
ser fingida. George Groddek, um dos psicanalistas mais notáveis, embora
relativamente pouco conhecido, costumava comentar que o homem, afinal de
contas, só é homem por uns poucos minutos; na maior parte do tempo é um menino.”
Ao escrever sobre o
caráter mercantil do homem nas páginas 146 e 147, o Autor fez menção ao livro
“A Análise do Homem” que aborda a inquietação e perplexidade do homem moderno e
o sentimento de futilidade que o domina diante de suas realizações e
conquistas. Palavras do Autor: “O caráter
autoritário-obsessivo-acumulativo que começou a revelar-se no século XVI, e que
continuou sendo estrutura de caráter dominante pelo menos nas classes médias
até fins do século XIX, misturou-se lentamente com o caráter mercantil ou
acabou sendo substituído por este.”
Ao explicar as idéias de
Marx na página 155, o Autor faz referência ao livro “O Conceito Marxista do
Homem” que contem os manuscritos econômicos e filosóficos de Marx e uma análise da filosofia marxista como um
protesto contra a alienação do homem. O Autor faz questão de destacar um trecho
daquele livro, como sendo escritas pelo economista e filósofo alemão, senão vejamos:
“A propriedade privada nos faz tão
obtusos e tendenciosos que um objeto só é nosso quando o possuímos, quando
existe para nós como capital, ou quando é imediatamente comido, bebido,
vestido, habitado, etc., em suma, utilizado de algum modo. ... Assim, todos os
sentidos físicos e intelectuais foram substituídos pela simples alienação de
todos esses sentidos; o sentido de ter. O ser humano teve que reduzir-se à sua
absoluta indigência para ser capaz de dar surgimento a sua riqueza íntima.”
Ainda preso no conceito
socialista/marxista, tão em moda nos idos de 1976, o Autor destaca outra obra
sua na página 158 denominado “Humanismo Socialista” ao destacar seis pontos que
refletem o pensamento dos humanistas radicais pós-marxistas, a saber:
- que a produção deve
atender às reais necessidades do povo, e não às exigências do sistema
econômico;
- que deve ser
estabelecida uma nova relação entre as pessoas e a natureza, que seja de
cooperação e não de exploração;
- que o antagonismo mútuo
deve ser substituído pela solidariedade;
- que o objetivo de todas
as organizações sociais deve ser o bem estar humano e evitação do contrário;
- que se deve empenhar não
para o máximo consumo, mas pelo consumo adequado que favoreça ao bem estar;
- que o individuo deve ser
ativo participante da vida social, e não um participante passivo.
Registro que a maioria
desses chamados humanistas radicais viveram no final do século XVIII até meados
do século XIX. Mal sabiam eles, assim como Marx não sabia, que quem mais
proporciona o ideal humanista, é justamente o capitalismo. Nada é mais
socialista que a previdência social e pelo que consta os melhores planos de
aposentadorias se encontram nos melhores países liberais e capitalistas. Fato
idêntico com o regime de cooperativas, assim como as melhores legislações e
ações ambientais. Isso necessitava ser dito.
Ainda debatendo sobre essa
questão ambiental e populacional, tão em voga hoje em dia, o Autor elenca seis
conclusões dos autores norte americanos Paul Ehrlich e Anne Ehrlich, o qual
fizemos referencia acima quando comentamos o livro “A Revolução da Esperança”
citado na página 163. Eis as seis sugestões do trabalho:
-1-
Considerando a atual tecnologia e os atuais padrões de comportamento , nosso
planeta acha-se imensamente super-povoado (COMO O LIVRO FOI
ESCRITO EM 1976, ESSE TRABALHO DATA ANTES DISSO. EM 1975 A POPULAÇÃO ERA 4
BILHÕES. HOJE É QUASE O DOBRO)
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O grande número absoluto de pessoas e o índice de crescimento demográfico são
os principais obstáculos à solução dos problemas humanos. (REPORTO
AO MESMO COMENTÁRIO ANTERIOR)
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Os limites da capacidade humana de produzir alimento pelos meios convencionais
quase foi atingido. Os problemas de abastecimento e distribuição já resultaram
em metade da população mundial subnutrida e inadequadamente alimentada.
Atualmente (antes de 1976 portanto), de 10 a 12 milhões de pessoas estão
morrendo de fome anualmente. (SEGUNDO O SITE “TERRE
HUMAINE” ATUALMENTE MORREM-SE 8 MILHÕES DE PESSOAS POR ANO. CONSIDERANDO QUE A
POPULAÇÃO DOBROU, HOUVE UMA QUEDA REAL DE 67%) http://bmail.uol.com.br/main
-4-
As tentativas de aumentar a produção de alimento tenderão a acelerar a
deterioração do nosso meio ambiente, o que, por sua vez, irá reduzir de fato a
capacidade da terra de produzir alimento. Não é claro se a decadência do meio
ambiente já chegou ao ponto de ser irreversível; é possível que a capacidade do
planeta de sustentar a vida humana tenha sido prejudicada de modo permanente.
As maiores causas da deterioração do meio ambiente são os “sucessos”
tecnológicos como automóveis, pesticidas e fertilizantes nitrogenados
inorgânicos.
-5-
Há razão para acreditar que o aumento de população aumente a probabilidade de
uma praga mortal de âmbito planetário e de uma guerra termonuclear. Uma ou
outra pode ocasionar um indesejável “índice de mortalidade”para a solução do
problema demográfico; cada qual é potencialmente capaz de destruir a civilização
e mesmo levar à extinção do Homo sapiens.
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Não existem qualquer panacéia para o complexo de problemas que confluem na
crise população-alimento-meio ambiente, embora uma tecnologia adequadamente
aplicada em domínios tais como combate à poluição, comunicações e controle da
fertilidade possa ser de inestimável ajuda. As soluções básicas implicam
mudanças consideráveis e rápidas nas atitudes humanas, sobretudo nas
relacionadas com a conduta reprodutiva, crescimento econômico, tecnologia, meio
ambiente, e resolução de conflito.
Sobre os tópicos 4, 5 e 6
destaco alguns pontos: Note-se que a cabeça dos Autores estão “contaminadas”
com o fantasma da “guerra fria” tão presente naquela época, quando se referem a
tal “guerra termonuclear” o que hoje certamente seria substituído por “efeito
estufa”. Sobre as demais previsões e assertivas trago à lume o que escrevi em fevereiro
de 2010 “EUA x AQUECIMENTO GLOBAL”
O Autor escreveu ainda
sobre “O Caráter Social de uma Aldeia”, um estudo sociopsicanalítico do caráter
social do camponês, as interações entre suas atitudes emocionais e condição
socioeconômicas. Escreveu sobre “O Coração do Homem” que trata da liberdade de
escolher entre o bem e o mal, entre o amor e o ódio, entre a vida e a morte e o
uso que o homem faz da sua liberdade. Escreveu “A Crise da Psicanálise”
colocando a psicanálise e a psicologia social dentro da crise vertical do mundo
moderno. Escreveu sobre “O Espírito de Liberdade” traçando uma revisão dos
conceitos bíblicos à luz de sua validade ou não para o homem de hoje. Escreveu
sobre “A Grandeza e Limitações do Pensamento de Freud”, descrevendo as mais importantes
descobertas
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